Alunos de escola pública rasgam o verbo contra Lula: “L de ladrão”
Uma sessão ordinária realizada em uma escola pública no sertão do Ceará, especificamente no município de Crato, viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (18) devido à sinceridade e espontaneidade das crianças, que usaram a tribuna da Câmara Municipal para fazer suas reivindicações de forma bem-humorada e, por vezes, contundente. O episódio gerou risos, mas também chamou a atenção para algumas críticas diretas, inclusive ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A sessão ocorreu em uma escola localizada no bairro Vila Alta e foi uma oportunidade para os cidadãos da comunidade, incluindo os estudantes, expressarem suas demandas para os representantes da cidade. Quando o microfone foi aberto para os alunos, os pedidos começaram de forma tradicional, como saneamento básico, segurança e melhorias na infraestrutura. No entanto, o aluno Miguel de Souza, com sua espontaneidade típica da infância, fez uma reclamação que acabou ganhando destaque: “Eu quero minha picanha e meu café, faz o L de ladrão”, disse, em referência ao presidente Lula, enquanto os presentes riam da situação.
Miguel, sem meias palavras, também pediu a redução da poluição e do lixo no bairro Travessa Milagre, mas foi sua crítica ao presidente que gerou maior repercussão. Seu comentário, embora tenha sido em tom de brincadeira, teve um efeito viral nas redes sociais.
Outro aluno, Marco Antônio, não fez uma referência direta a Lula, mas endossou uma crítica que está no imaginário de muitas pessoas no Brasil atualmente: o aumento dos preços dos alimentos. Ele fez um apelo pela redução dos custos de itens essenciais como carne, ovos e café. “Eu queria que abaixassem o preço, porque é o essencial que todo brasileiro tem que ter no seu dia a dia: café, arroz, feijão. Todo brasileiro precisa comer e beber (…) e alguma mistura, tipo carne ou ovo. Só arroz e feijão não dá”, disse Marco Antônio, mostrando uma preocupação com a alimentação diária das famílias brasileiras. O aluno também fez um pedido por reformas nas escolas da região, além de mencionar o estado dos banheiros como uma das questões que precisam ser resolvidas.
O episódio chamou a atenção não só pelo teor das reivindicações, mas também pela forma como os alunos, de maneira simples e direta, abordaram questões que impactam a vida cotidiana da população. O fato de uma criança se referir ao presidente de forma tão espontânea e sem censura reflete uma realidade política que, apesar de séria, também é abordada com a sinceridade característica da infância.
A viralização do momento também reflete o cenário atual do Brasil, onde muitas pessoas estão preocupadas com o aumento do custo de vida e com as condições de serviços públicos, especialmente em áreas mais periféricas e de menor acesso a recursos. A fala dos alunos, embora feita de forma ingênua, trouxe à tona debates mais amplos sobre a política econômica e os desafios que o país enfrenta.
A sessão, que inicialmente visava ser uma oportunidade para os cidadãos apresentarem suas necessidades, acabou sendo um momento de expressão autêntica de como as crianças, mesmo em um contexto descontraído, percebem as realidades que os cercam, sem filtros ou mediadores.