51,6% apontam culpa do governo Lula por inflação alta, diz AtlasIntel
Uma pesquisa exclusiva realizada pela AtlasIntel para o programa GPS CNN revela que a maioria da população brasileira considera que o governo federal é o principal responsável pelo aumento dos preços no país. De acordo com os dados da pesquisa, 51,6% dos entrevistados atribuem a culpa à política econômica do governo, enquanto uma parcela menor acredita que os preços são impulsionados por outros fatores, como empresas (22,4%) ou eventos climáticos (15,3%).
Além disso, os resultados indicam que a maioria dos brasileiros acredita que o governo deveria tomar mais medidas para reduzir a inflação. Quando questionados sobre a eficácia das ações do governo nesse sentido, 56,3% disseram que o governo precisa fazer mais, enquanto 40,5% acham que as atitudes tomadas até agora estão adequadas. Apenas 3,2% não souberam responder.
Impactos da Inflação no Cotidiano
A pesquisa também destacou os setores mais afetados pela alta de preços, com o supermercado liderando a lista: 86,7% dos entrevistados apontaram o aumento nos preços de alimentos como o principal impacto em seu cotidiano. Outros setores que também sentiram o impacto significativo da inflação foram os combustíveis (45,6%), alimentação fora de casa (31,8%), saúde e medicamentos (29,9%), e energia elétrica e gás (23,1%).
Como resposta à inflação, os brasileiros têm adotado diversas estratégias para driblar os aumentos de preços. A maioria (46%) tem buscado alternativas mais baratas, como trocar produtos ou optar por substituições mais acessíveis, como trocar carne por frango. Outros 44,3% reduziram seu consumo, e 36,4% passaram a comprar marcas mais baratas.
O Papel do Governo e as Ações Contra a Inflação
O economista-chefe da AtlasIntel, Camilo Rabelo, comentou que a percepção da população em relação ao governo é de que ele tem tomado poucas medidas efetivas para controlar a inflação. Segundo Rabelo, o governo Lula tem buscado ações, como a redução da alíquota de importação de produtos essenciais (azeite, carne, óleo de girassol), mas essa medida não foi suficiente para convencer a população da sua eficácia no combate à alta de preços. Muitos economistas ainda se mostram céticos quanto à real eficiência dessas ações.
“Para mais de um brasileiro sobre dois, o governo não está fazendo o suficiente para reduzir a inflação, e deveria fazer mais. A questão do nível de preços tornou-se, portanto, fundamental para os brasileiros, e o próprio governo vem trabalhando sua comunicação sobre o assunto, buscando mostrar à população que o problema está sendo endereçado”, afirmou Rabelo.
A Compreensão da Política Monetária
Outro ponto destacado pela pesquisa foi a falta de compreensão da população sobre a dinâmica entre a política monetária do Banco Central e o controle da inflação. Quando questionados sobre o impacto do aumento da taxa de juros pelo BC, 63,4% dos brasileiros acreditam que a elevação da Selic aumenta a inflação, enquanto 23,8% acham que ela reduz os preços. Essa visão equivocada pode influenciar negativamente as avaliações do governo e do próprio Banco Central, que usa a taxa de juros como ferramenta para controlar a inflação.
Rabelo explicou que, ao aumentar os juros, o BC busca reduzir o consumo e os investimentos, o que, por sua vez, diminui a demanda e alivia a pressão sobre os preços. No entanto, essa relação não parece ser clara para a maioria da população, o que reflete em um impacto negativo na avaliação do governo federal e do Banco Central.
Considerações Finais
A pesquisa da AtlasIntel traz uma radiografia precisa das preocupações dos brasileiros com a inflação e a atuação do governo no combate à alta de preços. A maioria da população ainda espera mais ações efetivas para conter a inflação, que continua afetando de maneira significativa o cotidiano dos brasileiros, especialmente nas áreas de consumo básico como alimentos e combustíveis.
O governo Lula, embora tenha implementado algumas medidas, ainda enfrenta desafios em convencer a população sobre a efetividade dessas ações, enquanto o Banco Central se vê em um cenário onde a compreensão das suas políticas monetárias pela população é limitada. Esse cenário poderá influenciar as avaliações políticas e a percepção sobre a capacidade do governo em lidar com a crise econômica no país.