Colunista da Bloomberg afirma que Lula está perdendo o apoio da classe trabalhadora
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória política, como destaca o economista argentino Juan Pablo Spinetto em artigo publicado na Bloomberg. Segundo ele, este é o pior momento de Lula em seus três mandatos como presidente, com uma queda acentuada na popularidade e uma perda significativa de apoio no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do petista.
Queda na Aprovação e Perda de Apoio no Nordeste
Em fevereiro, a pesquisa do Datafolha mostrou que apenas 24% da população aprovava o governo de Lula, uma queda substancial em relação aos 35% registrados em dezembro de 2023. Esse é o índice de aprovação mais baixo registrado pelo petista em sua carreira presidencial. A situação é particularmente alarmante no Nordeste, onde Lula sempre teve grande apoio, o que indica um desgaste político que não pode ser revertido facilmente apenas com programas sociais ou incentivos ao crédito, como afirma Spinetto.
Desafios para o Futuro Eleitoral
Diante dessa queda de popularidade, Spinetto adverte que conquistar um quarto mandato em 2026 será uma tarefa muito mais difícil para Lula do que ele imagina, sugerindo que o ex-presidente pode estar perdendo o apoio de uma parte significativa de sua base, especialmente entre os eleitores mais jovens e em regiões chave.
Estratégias do Governo para Recuperar Popularidade
Para reverter esse cenário, o governo tem adotado algumas estratégias, como o aumento de gastos com publicidade. Isso inclui a tentativa de promover programas como o Pé-de-Meia, do Ministério da Educação, que visa incentivar a poupança e melhorar as condições de educação no país. No entanto, o programa sofreu um revés quando o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueou R$ 6 bilhões, acusando violação das regras orçamentárias, o que gerou uma nova onda de críticas e acusações de “crime de responsabilidade” contra o governo, com alguns comparando a situação ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016.
Medidas Econômicas e Críticas ao Governo
Outra medida adotada foi a isenção de tarifas de importação de produtos como carne, café, açúcar, milho e azeite, com a esperança de conter a alta dos preços. No entanto, essa ação também foi criticada. A Frente Parlamentar do Agronegócio e o economista Daniel Vargas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontaram que a medida não resolve os problemas estruturais da economia e é vista por muitos como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção dos reais desafios econômicos, como a alta inflação e o desemprego ainda elevado.
A inflação continua alta, afetando diretamente o custo de vida dos brasileiros, e o desemprego, embora tenha caído para 6,5% em fevereiro, ainda preocupa.
O Perfil de Lula no Contexto Atual
Spinetto argumenta que Lula está “irremediavelmente se tornando o homem do passado”, fazendo uma comparação com Joe Biden, o presidente dos Estados Unidos, que também enfrenta desafios com uma base envelhecida e questões políticas complexas. O economista observa que, ao se dirigir ao público, Lula parece preso ao discurso de 2007, quando estava no auge, e distante da capacidade de atrair investidores e líderes empresariais como fazia no passado.
Ele também ressalta que o governo atual carece de um projeto moderno e convincente, especialmente para atrair a nova geração de eleitores, muitos dos quais nem sequer eram adultos durante os primeiros mandatos de Lula.
Conflitos Internos e Externos
Além das dificuldades econômicas e políticas internas, Lula tem adotado uma postura combativa, o que tem gerado atritos tanto dentro como fora do Brasil. Internamente, sua escolha de Gleisi Hoffmann, presidente do PT, para comandar a Secretaria de Relações Institucionais e a articulação política com o Congresso, foi vista como um movimento para reforçar a aliança com a ala mais ideológica do partido, afastando setores mais moderados.
Externamente, Lula se envolveu em confrontos com a imprensa e com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem acusou de ser ineficaz. Essa postura mais agressiva tem afastado uma parte importante do eleitorado que espera um líder mais conciliador e focado em resultados concretos.
Conclusão: O Momento Mais Delicado de Lula
O cenário atual coloca Lula no momento mais delicado de seu governo, com desafios significativos para recuperar apoio popular e restaurar a confiança da população na economia. A necessidade urgente de adaptação às novas exigências políticas e econômicas será crucial para que o ex-presidente consiga se reerguer e tentar reverter o desgaste que tem marcado sua administração.
Este momento é particularmente crítico para as perspectivas de reeleição em 2026, e as ações do governo nos próximos meses serão decisivas para definir o rumo de sua trajetória política.