Um dia após o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cobrar publicamente um posicionamento mais firme do Brasil em relação ao conflito com a Rússia, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta quarta-feira (20) a “neutralidade” e ainda afirmou que está “do lado da paz”.

O pré-candidato à reeleição ressaltou que “apanhou muito” após sua viagem a Moscou pouco antes do combate eclodir. A apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidenciável disse que membros do governo recomendaram que ele não viajasse para a Rússia na época. Todavia, ele foi no dia 15 de fevereiro, nove dia antes da eclosão da guerra, dizendo ser solidário à Rússia, mas mantendo uma posição de uma solução pacífica.

– Vá para a Rússia ou não? Se dependesse de quem está do meu lado, eu não iria. Não, se mantenha neutro, a Rússia pode invadir a Ucrânia. Eu fui para Rússia. Resolvi a questão do fertilizante. Eu apanhei muito porque fui para a Rússia. (Dizem) “Tem que estar do lado da Ucrânia…”. Estou do lado da paz. Se eu tivesse como resolver a guerra, já teria resolvido – destacou.

Tradicionalmente, o Brasil adere apenas a sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas como a Rússia é membro permanente do Conselho de Segurança, tem o poder de barrar qualquer tentativa de sancioná-la pela invasão do país vizinho.

Na noite de terça, contudo, em uma entrevista exclusiva à TV Globo, o ucraniano criticou a posição de “neutralidade” em relação ao conflito defendida por Bolsonaro. O presidente ucraniano disse que a falta de posicionamento “permitiu a fascistas engolir metade da Europa na Segunda Guerra” e que não entende como alguém pode se manter neutro diante do conflito.

Fonte: Pleno News