Nesta sexta-feira (11), o governador de São Paulo, João Doria, comentou sobre o reajuste dos preços dos combustíveis e chamou “medidas populistas” qualquer tentativa de mudar a política de preços da Petrobras. De acordo com o pré-candidato do PSDB à Presidência, a medida ainda iria comprometer “os resultados de uma empresa que tem o Brasil como seu principal acionista”.

O reajuste dos combustíveis da Petrobras foi anunciado nesta quinta-feira (10), após pós 152 dias sem aumento, de acordo com a empresa. No total, a gasolina teve alta de 18,7%; o diesel de 24,9%; e o gás de cozinha de 16%. Segundo a Petrobras, o movimento “vai no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda”.

Uma possível mudança na política de preços da empresa já foi cogitado pelo presidente Jair Bolsonaro e também é defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois principais candidatos à Presidência nas eleições deste ano.

Para Doria, no entanto, mudar a política “vai na direção contrária de buscar o objetivo de curto prazo de forma sustentável (proteção dos mais pobres) e compromete a busca de uma solução estrutural ambientalmente correta”.

Leia a íntegra da nota de João Doria:

A conjuntura atual exige que se tomem medidas para reduzir os impactos da crise geopolítica sobre os preços, protegendo os cidadãos brasileiros mais pobres, dos efeitos adversos de um aumento tão expressivo nos preços internacionais do petróleo. Neste caso, subsídios temporários, focalizados nos segmentos mais carentes e dependentes e financiados pelo aumento de receitas geradas por essa mesma elevação são justificáveis.

Mas há também que se buscar soluções estruturais que, ao mesmo tempo que suavizem as flutuações nos preços internacionais do petróleo, também acelerem nossa transição energética.

Subsidiar combustível fóssil vai de encontro às nossas metas de redução de emissões e a direção contrária do que entendemos ser o melhor para o Brasil, econômica e ambientalmente.

Afinal, temos vantagens competitivas que nos permitem fazer essa transição de forma organizada, reduzindo a dependência brasileira em combustíveis fósseis e abrindo oportunidades para uma economia verde que impulsione o Brasil social e economicamente e nos coloque liderança de um mundo mais sustentável.

Intervir na política de preços da Petrobras, além de medida populista e equivocada, compromete os resultados de uma empresa que tem o Brasil como seu principal acionista e o Tesouro Nacional o grande recebedor dos seus dividendos. Além disso, vai na direção contrária de buscar o objetivo de curto prazo de forma sustentável (proteção dos mais pobres) e compromete a busca de uma solução estrutural ambientalmente correta.

Vale lembrar também que, do ponto de vista tributário, somente uma Reforma Tributária que tenha o IVA como sistema de tributação do consumo irá resolver de forma definitiva as distorções dos impostos atuais. Políticas de congelamento ou interferências nas competências federativas só ampliam as distorções sem contrapartidas concretas para o consumidor.

Este problema infelizmente não é novo. Mas faltou por parte deste governo – e como em tantos outros casos – competência para enfrentá-lo antes de que ele se tornasse maior. Agora, em ano eleitoral, vemos avançarem propostas improvisadas, medidas populistas e retrocessos. O custo delas virá depois, sempre sobre os mais pobres.

Construir o futuro do Brasil passa por planejamento, trabalho e ciência para enfrentar nossos problemas e dar a eles soluções concretas e sustentáveis.

Fonte: Pleno News