O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (1°), que a semana será de “jogo pesado” com a Petrobras, sem detalhar qual seria a estratégia do governo ao longo dos próximos dias. O chefe do Executivo ainda disse saber, de forma extraoficial, que a estatal fará um novo reajuste nos preços dos combustíveis dentro de 20 dias.

– Isso não pode acontecer – afirmou sobre o novo aumento.

As declarações foram dadas a jornalistas na cidade italiana de Anguillara Veneta, onde o presidente recebeu o título de cidadão local.

Questionado sobre o Auxílio Brasil, o presidente desconversou e disse que a prioridade, neste momento, é a disparada do valor dos combustíveis.

– Essa semana vai ser um jogo pesado com a Petrobras. Porque eu indico o presidente. Quer dizer, tem que passar pelo conselho, não sou eu quem indicou, passa pelo conselho. E tudo de ruim que acontece lá cai no meu colo. O que é de bom, não cai nada em meu colo – reclamou Bolsonaro.

E acrescentou:

– Uma notícia que eu dou pra vocês, eu tenho pressa, a Petrobras vai anunciar, eu sei extraoficialmente, novo reajuste daqui a uns 20 dias. Isso não pode acontecer.

Apesar de o governo ser o principal acionista da Petrobras, o presidente ainda disse que não se importa com o lucro da estatal repassado à União.

– O que eu quero da Petrobras? Não quero no tocante aos rendimentos que a Petrobras dá para o governo federal, não me interessa esse recurso. Tenho conversado com Paulo Guedes [ministro da Economia], nós queremos que isso seja revertido diretamente em diminuição do preço do diesel na ponta da linha – comentou.

Na última quinta-feira (28), a Petrobras informou lucro de R$ 31,14 bilhões no terceiro trimestre deste ano.

– Vi muito rapidamente – limitou-se a responder Bolsonaro sobre o balanço da empresa.

Em uma insistência de retórica, o presidente ainda voltou a dizer que pediu ao ministro Paulo Guedes para estudar a privatização da Petrobras, e novamente culpou o ICMS cobrado pelos governadores pela alta dos combustíveis. “A minha contribuição eu já dei”, afirmou.

Na sexta-feira (29) estados aprovaram, por unanimidade, resolução de congelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre os combustíveis por 90 dias, como forma de mitigar a disparada de preços do produto.

*AE

Fonte: Pleno News