Titular da CPI da Covid-19, o senador Eduardo Girão (Podemos) avaliou a sessão desta terça-feira (21) como mais “um dia triste” para a comissão. O parlamentar, responsável pelo requerimento que resultou na convocação do ministro da Controladoria Geral da União, Wagner Rosário, lamentou o que considerou como um “espetáculo de agressividade” durante a oitiva.

– Ontem foi um dia triste, mais um dia em que, infelizmente, nós (e quando eu digo nós, eu falo todos nós, me incluo também) não demos uma boa referência à população brasileira a partir dessa CPI. (…) O que eu vi ontem foi um espetáculo de agressividade, inclusive a partir de nós, senadores, também – declarou Girão na sessão desta quarta-feira (22).

Apesar de considerar que o ministro tenha se excedido e errado, o senador afirmou que o CGU foi “provocado do início ao fim” da sessão, e fez um apelo por “mais respeito” com os depoentes.

– Ele foi provocado do início ao fim. É claro que um erro não justifica o outro. Ele se excedeu com a nossa colega, senadora Simone Tebet, errou, mas a gente precisa compreender que nós precisamos aqui ter mais respeito com as pessoas que vêm depor. Não ficar induzindo resposta, colocando palavras na boca das pessoas – disse o senador.

Ele apontou ainda uma “escalada de agressividade”, citando como exemplo o uso de palavras como “engavetador geral” e “moleque”.

– Nós começamos a entrar em um sistema, que aí perdeu o controle completamente – apontou Girão.

O senador disse esperar que a CPI possa mudar o rumo daqui para a frente, e “iniciar um novo fim”.

– Que essa CPI possa largar um pouco as agressividades, as hostilidades, o desrespeito, os abusos, e possa tratar as pessoas de forma respeitosa – pediu.

TUMULTO
A sessão da CPI da Covid-19 desta terça-feira (21) foi suspensa após atrito entre o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, e a senadora Simone Tebet. Durante o desentendimento, a parlamentar disse que o CGU estaria se comportando como um “menino mimado”, e, em seguida, foi acusada por ele de estar “descontrolada”.

A confusão cresceu quando os senadores decidiram sair em defesa de Tebet. Neste ponto, parlamentares como Otto Alencar (PSD), Randolfe Rodrigues (Rede) e Leila Barros (Cidadania) acusaram o ministro de estar sendo “machista” e agindo como “moleque”.

Ao fim da sessão, o relator do colegiado, Renan Calheiros (MDB), anunciou que o ministro passou da condição de testemunha para a de investigado pela CPI.

Fonte: Pleno News