Malu mostra o tamanho do absurdo praticado por Gilmar “para salvar o colega do aperto”
A recente decisão do ministro Gilmar Mendes, que anulou a quebra de sigilo de uma empresa ligada aos familiares do ministro Dias Toffoli, continua gerando forte repercussão. Na imprensa e nas redes sociais, analistas políticos vêm dissecando o passo a passo da arquitetura processual utilizada. Entre os destaques, a jornalista Malu Gaspar expôs em detalhes o que classificou como uma manobra absurda para garantir que o caso fosse julgado por Mendes, salvando o colega de Corte de um evidente “aperto” nas investigações da CPI do Crime Organizado.
A análise em vídeo traduz o “juridiquês” e mostra como regras internas do Supremo Tribunal Federal (STF) teriam sido contorcidas pela defesa e validadas pelo decano para evitar o sorteio aleatório do relator.
1. O “Tamanho do Absurdo”: A Ressurreição de um Processo Morto
O ponto central da crítica apontada pela jornalista é a forma atípica como o processo chegou exclusivamente às mãos de Gilmar Mendes. No STF, a regra de ouro para a transparência é que novos pedidos sejam distribuídos por sorteio entre os ministros. A exceção é a regra da “prevenção”, que direciona o caso a um magistrado se ele já for relator de uma investigação idêntica ou intimamente conectada.
Para assegurar que a ação caísse com o decano, a defesa da empresa Maridt Participações (da qual Toffoli e seus irmãos são sócios) atrelou o novo pedido a um antigo Mandado de Segurança da época da CPI da Covid, que já estava inativo e arquivado.
A crítica na imprensa aponta o absurdo lógico da situação: não há conexão material entre uma comissão extinta sobre a pandemia e a atual CPI do Crime Organizado. Acatar essa manobra e “ressuscitar” o processo foi visto por especialistas como uma manobra fora dos padrões éticos e regimentais.
2. “Salvar o Colega do Aperto”: Uma Decisão a Jato
Outro aspecto duramente criticado pela imprensa e esmiuçado na análise é a velocidade supersônica com que o STF agiu para proteger um dos seus:
O aperto: A CPI do Senado havia aprovado a devassa nos dados bancários, fiscais e telemáticos da empresa familiar de Toffoli. Isso poderia expor transações financeiras e gerar um desgaste político e institucional imensurável para o magistrado.
O salvamento: O pedido de socorro da defesa chegou ao sistema do Supremo na madrugada de uma sexta-feira (às 00h58). Em tempo recorde de 14 horas, Gilmar Mendes acatou a conexão com o processo antigo e tomou uma decisão de ofício, anulando as quebras de sigilo e ordenando a imediata destruição de qualquer dado que já tivesse sido enviado ao Senado.
3. A Percepção de Corporativismo
A exposição feita por analistas como Malu Gaspar reflete uma insatisfação profunda com o que é percebido como um forte sistema de proteção mútua no topo do Judiciário brasileiro. Ao escancarar o drible processual, a crítica foca no fato de que o Supremo — cuja função é zelar pela aplicação estrita das leis — parece flexibilizar suas próprias regras quando os interesses de seus integrantes ou familiares estão na mira de outros Poderes.
O episódio consolida a imagem de blindagem institucional, reforçando as narrativas da oposição no Congresso de que a Corte atua de forma corporativista, alimentando ainda mais a crise de confiança entre o STF, o Parlamento e parte da sociedade.
A @malugaspar desenhou o tamanho do absurdo envolvendo a decisão do ministro Gilmar Mendes. pic.twitter.com/YIMZaOZYZu
— Fernanda Salles (@reportersalles) February 28, 2026





