Transparência Internacional publica cronologia sobre o ministro Dias Toffoli e questiona ausência de investigações
A organização não governamental Transparência Internacional (TI) publicou em suas redes sociais um levantamento cronológico abordando diversos episódios envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A publicação compila uma série de casos noticiados pela imprensa ao longo da última década, destacando o que a entidade aponta como uma ausência de investigações formais contra o magistrado.
De acordo com a postagem da ONG, o histórico de menções ao ministro tem início em 2012, quando seu nome teria sido citado no depoimento de uma delatora do caso conhecido como “mensalão do DF”. A cronologia segue listando eventos de 2016, que incluem o relatório da Polícia Federal sobre a suposta influência da família Bumlai e a menção a uma obra em sua residência na proposta de delação de Léo Pinheiro (OAS). Em ambos os casos, a TI ressalta que as investigações não avançaram.
O levantamento também relembra casos de 2018 e 2019, como as reportagens sobre os repasses do escritório de advocacia de sua esposa, a menção ao codinome “amigo do amigo de meu pai” em tratativas do executivo Marcelo Odebrecht — cujas provas foram posteriormente anuladas pelo próprio ministro — e a auditoria da Receita Federal envolvendo Pessoas Expostas Politicamente (PEPs).
A linha do tempo elaborada pela entidade menciona ainda fatos mais recentes. Em 2021, a ONG cita a delação do ex-governador Sérgio Cabral, que acusava a suposta venda de decisões judiciais, acordo que acabou anulado pelo STF com o voto do próprio Toffoli. Já em 2025, a lista destaca revelações da imprensa sobre um empreendimento imobiliário multimilionário envolvendo familiares do ministro e fundos ligados a instituições financeiras e empresas.
Contraste com investigação contra a própria ONG
Ao final da publicação, a Transparência Internacional traça um paralelo entre a falta de investigações contra o ministro e o inquérito aberto contra a própria entidade.
A TI relembra que, em 2023, após denunciar à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a decisão de Toffoli que anulou as provas do acordo de leniência da Odebrecht, passou a ser investigada por determinação do magistrado. A organização destaca que, mesmo com duas manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o arquivamento do caso por falta de provas, e com o posicionamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos classificando a medida como uma “tentativa de criminalização”, a investigação contra a ONG segue aberta.
A postagem da entidade conclui sua argumentação apontando para o que considera uma assimetria: enquanto a Transparência Internacional se tornou alvo de inquérito, o ministro, diante das diversas menções ao longo dos anos, não foi investigado.





