O STF rachado em 3… A nova correlação de forças
A imagem de um Supremo Tribunal Federal (STF) monolítico e unido em suas decisões tem dado lugar a um cenário de bastidores muito mais complexo e fragmentado. Quem acompanha de perto os movimentos na Praça dos Três Poderes já percebeu: a mais alta corte do país não está apenas dividida em duas alas, mas sim rachada em três blocos de poder distintos. Essa nova correlação de forças tem ditado o ritmo dos julgamentos e desenhado o futuro político e jurídico do Brasil.
Durante muito tempo, a divisão clássica do STF se dava entre “garantistas” e “punitivistas”, um eco dos tempos da Operação Lava Jato. No entanto, o cenário atual e a entrada de novos ministros redesenharam o xadrez interno. Hoje, analistas políticos e juristas apontam para a consolidação de três polos principais que disputam o protagonismo e a narrativa dentro do tribunal.
O primeiro bloco orbita em torno do decano da corte e de ministros com forte trânsito no Congresso Nacional. Esta ala, frequentemente classificada como o núcleo “garantista raiz”, tem trabalhado intensamente para reverter o que consideram excessos do passado recente do Judiciário. Com forte articulação política, esse grupo busca pontes com o Legislativo e o Executivo, atuando muitas vezes como um poder moderador nos bastidores, mas com decisões firmes que frequentemente beneficiam a classe política tradicional.
O segundo bloco consolidou-se em torno do combate aos chamados atos antidemocráticos e da regulação das redes sociais. Trata-se da ala que concentra os inquéritos mais sensíveis da República. Este grupo adota uma postura de “defesa institucional” mais dura e intervencionista, utilizando um escopo ampliado de poder para atuar de forma rigorosa. É um polo que frequentemente atrai os holofotes e gera os maiores embates com a opinião pública e com a oposição.
O terceiro bloco, por sua vez, atua como o fiel da balança. Formado por ministros com perfis mais independentes, incluindo o atual comando da Corte e as indicações mais recentes do Executivo, esse grupo não se alinha automaticamente nem ao garantismo tradicional do primeiro bloco, nem à linha dura institucional do segundo. Eles votam de acordo com a temperatura do processo, criando uma imprevisibilidade que obriga os outros dois grupos a negociarem constantemente.
O que isso significa para o país?
Essa divisão em três frentes traz consequências diretas para a segurança jurídica. O STF passa a funcionar quase como um parlamento, onde a formação de maioria depende de intensas negociações internas e alinhamentos de conveniência caso a caso.
Para a sociedade e para o mundo político, a mensagem é clara: o resultado de um julgamento no STF hoje depende menos de uma jurisprudência pacificada e muito mais de qual dos três blocos conseguirá atrair os votos flutuantes. A Suprema Corte rachada reflete, em última instância, a própria polarização e complexidade do Brasil atual.





