Moraes mantém prisão de condenado pelo 8/1 com doença grave e que corre sérios riscos
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Clayton Nunes, de 42 anos. O barbeiro, condenado a 16 anos de reclusão pelos atos de 8 de janeiro, permanece detido no Complexo da Papuda, apesar dos alertas de seus advogados sobre sua saúde debilitada.
Segundo a defesa, Clayton sofre de psoríase, uma doença autoimune que causa lesões e inflamações na pele, além de apresentar imunossupressão severa — condição que reduz drasticamente a capacidade do organismo de combater infecções. A advogada Valquíria Durães relata que o ambiente prisional é insalubre para o quadro do cliente, destacando que ele “dorme no chão, nas proximidades do banheiro”, o que agravaria o risco de contaminações.
Na decisão, Moraes alegou que não foram apresentadas “circunstâncias excepcionais” que justificassem a mudança para o regime domiciliar. O ministro baseou-se em um trecho de um relatório médico indicando que, embora existente, a doença “não se apresenta como grave nem incapacitante”. Moraes também citou informações da administração penitenciária afirmando que “não há registro de atraso na aplicação de imunizantes”, rejeitando a tese de omissão de socorro.
O caso traz à tona memórias dolorosas para familiares e defensores dos presos do 8 de janeiro, remetendo ao falecimento de Cleriston Pereira da Cunha, o “Clezão”, que morreu na Papuda após ter pedidos de liberdade negados, mesmo com pareceres favoráveis da PGR devido a problemas de saúde. A manutenção da prisão de Clayton sob estas condições renova as críticas sobre o rigor e a humanidade no tratamento dos detentos ligados aos atos de 2023.





