Inesperadamente, Motta toma decisão com “aceno” a Lula a poucos meses da eleição

A política em Brasília é feita de gestos, mas o que ocorreu nesta semana foi muito mais do que um simples aperto de mãos. A poucos meses das eleições presidenciais de 2026, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tomou uma decisão inesperada que caiu como uma bomba no colo da oposição e foi recebida com sorrisos largos no Palácio do Planalto.

Até então mantendo uma postura de aparente independência — e muitas vezes flertando com pautas conservadoras para agradar sua base —, Motta decidiu, de forma súbita, destravar a votação de projetos cruciais para a agenda econômica e social do governo Lula, pautas que estavam “na geladeira” e que o PT considera vitais para alavancar a popularidade do presidente na corrida pela reeleição.

O movimento ocorre dias após um jantar reservado na Granja do Torto, onde Lula reuniu a cúpula do Congresso em um esforço para “pacificar” a relação entre os poderes. O que parecia ser apenas um encontro protocolar, agora se revela como o palco de um acordo pragmático. Segundo fontes ouvidas em off por nossa reportagem, o “aceno” de Motta envolveu o compromisso de acelerar medidas populistas que podem injetar ânimo na campanha petista, em troca de apoio e garantias políticas futuras.

A “Traição” ou Pragmatismo?

Para a ala conservadora e deputados da oposição, a atitude de Motta soou como uma traição. Esperava-se que o presidente da Câmara mantivesse o freio de arrumação nos gastos e nas pautas ideológicas do governo até o período eleitoral. No entanto, ao liberar a pauta, Motta sinaliza que o “Centrão” pode já ter escolhido seu lado na disputa de outubro, ou pelo menos, decidido não criar obstáculos para quem detém a caneta.

“É inacreditável. Faltando tão pouco para o pleito, dar esse oxigênio ao governo é praticamente entrar na campanha”, desabafou um parlamentar da oposição nos corredores da Câmara.

O gesto de Motta também enfraquece as articulações para possíveis CPIs que miravam a gestão petista, jogando um balde de água fria em quem esperava um Legislativo combativo neste ano decisivo.

O que está em jogo

Com a popularidade oscilante e uma eleição que promete ser uma “guerra”, Lula precisava desesperadamente de uma vitrine legislativa neste início de 2026. A decisão de Motta entrega exatamente isso: a possibilidade de aprovar benesses e programas de última hora, usando a máquina pública para recuperar terreno.

Resta saber qual será o preço desse apoio e como o eleitorado, que clama por mudanças, reagirá a mais esse capítulo do velho toma-lá-dá-cá de Brasília. O “aceno” foi dado, e o jogo de 2026 acaba de ficar muito mais complexo.

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Bruno Rigacci

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