Enfurecido, Moraes finalmente se manifesta após vazar “visitas, amizade e charutos” com Daniel Vorcaro

O silêncio no Supremo Tribunal Federal (STF) foi quebrado na manhã desta quarta-feira (28), mas não com explicações, e sim com cólera. O Ministro Alexandre de Moraes, visivelmente contrariado, emitiu uma nota oficial reagindo aos escandalosos vazamentos que expuseram a sua relação de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A reportagem que incendiou Brasília revelou registros de visitas frequentes de Vorcaro à residência oficial do ministro, além de depoimentos de ex-funcionários que descreveram longas noites de conversa regadas a uísque e charutos cubanos de alta gama.

A “Defesa” de Moraes

Em nota, Moraes não negou os encontros. Em vez disso, partiu para o ataque, utilizando o velho roteiro de classificar as denúncias jornalísticas como “ataques antidemocráticos” e “tentativas rasteiras de constranger o Poder Judiciário”.

“As relações institucionais e sociais mantidas por membros da Corte são pautadas pela ética e não interferem na imparcialidade dos julgamentos. A divulgação criminosa de rotinas privadas visa apenas tumultuar o ambiente democrático”, diz trecho da nota.

Para juristas independentes, no entanto, a justificativa não cola. A “amizade íntima” é uma das causas claras de suspeição previstas em lei. O problema agrava-se pelo fato de o Banco Master ter interesses diretos em processos que tramitam no STF, alguns sob a relatoria ou influência direta de Moraes.

O Clube do Charuto

O escândalo, apelidado nos corredores do Congresso de “Clube do Charuto”, cai como uma bomba num momento em que o STF já enfrenta desgaste máximo devido ao caso do “Resort de Toffoli”. A revelação de que Moraes e Vorcaro desfrutavam de tamanha intimidade coloca em xeque dezenas de decisões judiciais recentes que favoreceram a instituição financeira ou seus parceiros comerciais.

Reação no Senado

A oposição não perdeu tempo. O senador Eduardo Girão (NOVO-CE) já anunciou que aditará o pedido de impeachment de Moraes para incluir a suspeição não declarada no caso Master.

“Não estamos falando de um encontro casual em um evento público. Estamos falando de visitas recorrentes, de amizade, de charutos, enquanto processos bilionários eram decididos. Se isso não é motivo para impedimento, nada mais é”, declarou o senador.

Enquanto Moraes tenta blindar-se com a retórica da “defesa da democracia”, a sociedade brasileira assiste, atónita, a mais um capítulo da promiscuidade entre o poder judiciário e o grande capital. A pergunta que fica é: até quando o Senado continuará omisso?

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Bruno Rigacci

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