Gilmar dá 48h para governador aliado de Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um prazo de 48 horas para que o governo de Santa Catarina e a Assembleia Legislativa do estado prestem esclarecimentos sobre a recém-sancionada lei que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades públicas e instituições privadas que recebem recursos estaduais.

O despacho, classificado como urgente e assinado nesta terça-feira (27), exige explicações formais do governador Jorginho Mello (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, e do legislativo catarinense. Além disso, Gilmar Mendes requisitou informações específicas sobre um processo seletivo da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) que já teria sido afetado pela nova legislação.

A lei, sancionada no último dia 22, é alvo de três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) movidas pelo PSOL, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo PT. As ações argumentam que a proibição viola o princípio da igualdade, representa uma omissão no combate ao racismo e configura retrocesso institucional. O PT solicita ainda que o STF estabeleça uma tese nacional, afirmando que a revogação de cotas por lei estadual é inconstitucional.

Em contrapartida, a Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina já anunciou que defenderá a constitucionalidade da norma. O órgão sustenta que a lei não afronta a Constituição e que não há obrigatoriedade federal para a imposição de cotas raciais.

A proposta, originada na Assembleia Legislativa por iniciativa do deputado estadual Alex Brasil (PL-SC), mantém reservas de vagas para pessoas com deficiência, estudantes de baixa renda e egressos de escolas públicas, focando a proibição apenas no critério racial. O texto prevê multas de até R$ 100 mil e suspensão de repasses para instituições que descumprirem a regra.

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também foram intimadas a se manifestar. O caso segue sob análise no STF e promete novos desdobramentos nos próximos dias.

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Bruno Rigacci

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