“Não é justiça, é política”: Renan Calheiros mira CVM no caso Master e acende alerta de interferência no mercado

Uma declaração do senador Renan Calheiros (MDB-AL) à coluna da jornalista Vera Rosa gerou forte reação nos bastidores do mercado financeiro e político. Ao comentar o escândalo envolvendo o Banco Master, Renan disparou: “Uma coisa é certa: o sistema financeiro não será mais o mesmo depois do escândalo do Master. Todos nós, juntos, precisamos fazer o que a CVM não fez”.

O que a princípio poderia soar como um apelo por rigor, foi recebido por analistas como uma ameaça velada à autonomia técnica da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O Alvo: A Presidência da CVM

A leitura de bastidores é clara: a frase “fazer o que a CVM não fez” sinaliza menos uma intenção de fortalecer os órgãos de controle e mais um desejo de substituição do corpo técnico pela política. Atualmente, a presidência da autarquia é ocupada por um nome ligado a adversários políticos do senador, e a crise do Banco Master estaria sendo utilizada como pretexto para “contaminar” a agência reguladora.

Renan, que veste agora a capa de justiceiro, estaria agindo motivado pela divisão de poder e influência, e não necessariamente pela moralidade administrativa.

O Abismo da Impunidade: Brasil x EUA

A crítica à postura de Renan traz à tona a comparação com o sistema judiciário americano, especificamente o caso de Bernie Madoff. O maior golpista financeiro dos EUA enganou a SEC (equivalente americana da CVM) por anos. No entanto, a diferença fundamental reside no desfecho:

  • Nos EUA: Madoff foi processado, condenado em menos de 6 meses a mais de 150 anos e morreu na prisão, vestindo uniforme de detento.

  • No Brasil: A impunidade impera. Figuras como Daniel Vorcaro e outros envolvidos no caso Master dificilmente enfrentariam o mesmo destino.

Em um país onde condenados como Sérgio Cabral e Marcelo Odebrecht circulam livres, atribuir a culpa exclusivamente à CVM ou ao Banco Central é visto como uma “piada de mau gosto”. As autarquias atuam dentro de seus limites técnicos; o sistema falha, segundo críticos, quando chega a um judiciário poroso e contaminado pela política — exatamente o tipo de contaminação que a fala de Renan parece sugerir para a CVM.

Compartilhe nas redes sociais

Bruno Rigacci

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site! ACEPTAR
Aviso de cookies