Malafaia sobe o tom contra Damares e a acusa de oportunismo por divulgar lista de igrejas na CPMI do INSS
O pastor Silas Malafaia voltou a disparar críticas públicas contra a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), intensificando o racha entre lideranças conservadoras. O motivo do novo embate é a divulgação, por parte da parlamentar, de uma lista de igrejas e líderes religiosos citados em requerimentos da CPMI do INSS, comissão que investiga fraudes em benefícios previdenciários.
Segundo Malafaia, a atitude da senadora visa apenas obter “proveito político”. O líder religioso argumenta que Damares expôs instituições que não foram denunciadas por iniciativa dela, mas que constavam em pedidos formais apresentados por outros parlamentares dentro da comissão.
A origem da discórdia
A tensão escalou após uma entrevista de Damares ao SBT News no último domingo (11), onde ela afirmou haver indícios do envolvimento de entidades religiosas em esquemas de desvio de aposentadorias. Em resposta à repercussão, a senadora publicou nas redes sociais a lista das instituições citadas, alegando sentir “desconforto e tristeza” com as suspeitas.
Malafaia, no entanto, classificou a postura como oportunista em vídeo divulgado na rede social X.
“Ela tenta tirar proveito político do que não fez. Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto com outros deputados e senadores, é assinar requerimentos de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas”, disparou Malafaia.
O pastor ressaltou que os requerimentos utilizados como base para a lista partiram, na verdade, de parlamentares do PSOL e do PT, e não da senadora. “Se ela já sabia, por que não falou antes?”, questionou.
Conversa com Carlos Viana
Para sustentar sua defesa, Malafaia afirmou ter entrado em contato direto com o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o relato do pastor, Viana negou categoricamente que esteja sofrendo pressão de líderes religiosos para abafar as investigações ou omitir informações do relatório final.
De acordo com Malafaia, o presidente da comissão esclareceu o escopo das investigações sobre as entidades religiosas:
Não há envolvimento de “grandes igrejas” no esquema central;
Os indícios apontam para duas igrejas recentes, que aparentam ter sido criadas exclusivamente como fachada para lavagem de dinheiro;
Há citações a igrejas menores e líderes de pouca expressão, ainda sem provas conclusivas.
“Linguaruda”
O episódio marca mais um capítulo da crise entre os dois aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Anteriormente, Damares havia dito que a CPMI sofria pressões para barrar investigações contra “grandes pastores”. A declaração irritou profundamente Malafaia, que chegou a chamar a senadora de “linguaruda” por lançar suspeitas genéricas sem apresentar nomes concretos.
Damares, por sua vez, mantém a posição de que as informações divulgadas são públicas e constam em documentos oficiais aprovados pela comissão.





