Moraes autoriza transferência de Bolsonaro para a “Papudinha” e dispara: “Não é colônia de férias”
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”. A decisão, marcada por um tom contundente, veio acompanhada de recados diretos à defesa e aliados do ex-mandatário, deixando claro que o novo local de custódia não deve ser encarado como um ambiente de lazer.
Em seu despacho, Moraes foi enfático ao refutar a ideia de que as condições especiais da prisão de um ex-chefe de Estado poderiam ser equiparadas a um privilégio indevido. “Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução de gravíssimos crimes contra o Estado Democrático de Direito, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias”, escreveu o ministro.
A transferência atende a pedidos da defesa de Bolsonaro, que alegava condições inadequadas na cela da PF, citando questões de saúde e limitações para banho de sol e visitas. A “Papudinha”, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, oferece uma estrutura física maior, com cela de cerca de 54 m², incluindo banheiro, cozinha e área externa privativa para banho de sol, além da possibilidade de instalação de equipamentos médicos e de fisioterapia, conforme recomendação médica. O local é destinado a presos militares e civis com direito a Sala de Estado-Maior, e já abrigou outros políticos notórios.
Apesar das melhorias estruturais, Moraes fez questão de sublinhar a gravidade dos crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado – relacionados à tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito – para justificar a manutenção do regime fechado e rebater narrativas de “vitimização”. O ministro listou em sua decisão diversas concessões já feitas ao ex-presidente, como atendimento médico 24 horas, visitas familiares ampliadas e acesso à leitura para remição de pena, classificando a custódia como “privilegiada” em comparação com a realidade do sistema prisional brasileiro.
A postura firme de Moraes e a linguagem utilizada na decisão geraram fortes reações entre aliados de Bolsonaro. Críticos classificaram as palavras do ministro como demonstração de “puro sadismo” e “perseguição”, argumentando que a transferência não seria um ato humanitário, mas sim uma forma de tentar amenizar uma situação de “tortura” vivida na prisão anterior, mantendo, contudo, o rigor e a exposição pública do ex-presidente. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, insiste no pedido de prisão domiciliar, alegando vulnerabilidade clínica permanente.





