Banco Central decreta liquidação da Reag e jurista vê “desmoralização” de Toffoli no caso Master

O Banco Central adotou uma postura firme e decretou a liquidação judicial da Reag, gestora de recursos que figura como peça central nas investigações envolvendo o Banco Master. A decisão da autoridade monetária ocorre em meio a um turbilhão de denúncias que conectam a empresa diretamente a interesses familiares do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Conexão do Resort e a J&F

Paralelamente à ação técnica do BC, o cenário político e jurídico foi abalado pela revelação de uma transação imobiliária suspeita. O país recebeu com estupefação a notícia de que um resort associado à família de Toffoli foi adquirido, em abril, por um advogado com vínculos históricos com o grupo J&F.

O ponto nevrálgico da polêmica é a origem do dinheiro e a intermediação: a operação foi realizada por um fundo administrado justamente pela Reag, a mesma gestora agora liquidada pelo Banco Central e investigada no inquérito que está sob a relatoria do próprio Toffoli.

“Vergonha para o Judiciário”

Diante da gravidade dos fatos, o jurista André Marsiglia fez uma análise contundente sobre os desdobramentos do caso, dividindo sua leitura em dois pontos cruciais: a postura do BC e a situação insustentável do ministro no processo.

Sobre a autoridade monetária, Marsiglia destacou a coragem da decisão administrativa:

“O Banco Central parece respirar ainda ares de alguma independência”, avaliou, referindo-se à liquidação da gestora mesmo diante das pressões políticas.

No entanto, a crítica mais dura foi direcionada ao STF. Para o jurista, o conflito de interesses é flagrante e a manutenção do ministro na condução do inquérito fere a imagem da justiça.

“Toffoli seguir à frente do caso Master é uma vergonha e uma desmoralização para o judiciário brasileiro”, concluiu Marsiglia.

A liquidação da Reag deve acelerar a abertura de novos dados financeiros, o que pode aumentar a pressão para que o ministro se declare impedido de continuar relatando o caso.

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Bruno Rigacci

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