UE convoca reunião de emergência contra “chantagem” de Trump pela Groenlândia

Embaixadores dos 27 países da União Europeia realizarão uma reunião de emergência neste domingo (18) com um objetivo único: formular uma resposta coordenada às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A convocação partiu do Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, em meio a uma crise diplomática desencadeada pela pressão americana para a compra da Groenlândia.

O Ultimato Econômico

O plano anunciado pela Casa Branca prevê a imposição de tarifas sobre oito aliados europeus, todos membros da OTAN, caso a Dinamarca não aceite vender o território autônomo. O cronograma de sanções é escalonado:

  • 1º de fevereiro: Início de uma taxação de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia.

  • 1º de junho: Aumento das tarifas para 25% se não houver acordo.

Trump foi taxativo em sua declaração, afirmando que as cobranças permanecerão “até que um acordo seja firmado para a compra total da Groenlândia”.

Líderes reagem: “Não vamos nos deixar chantagear”

A medida provocou reações imediatas e duras entre os chefes de Estado europeus, que veem a manobra como um ataque à soberania.

O primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, que já iniciou articulações com o Reino Unido para uma resposta conjunta, foi direto:

“Não vamos nos deixar chantagear. Apenas a Dinamarca e a Groenlândia decidem sobre questões relativas à Dinamarca e à Groenlândia.”

Na França, o presidente Emmanuel Macron classificou as medidas como “inaceitáveis”, traçando um paralelo com outros conflitos geopolíticos:

“Nenhuma intimidação nem ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia.”

Já o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou a estratégia de usar retaliação comercial entre aliados históricos, chamando a atitude de Trump de “completamente errada”.

O Alvo no Ártico

A Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, voltou ao centro das disputas globais. Rica em recursos naturais e com posição estratégica no Ártico, a ilha já havia sido objeto de desejo de Trump em seu primeiro mandato, mas a investida agora ganha contornos de coerção econômica direta contra o continente europeu.

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Bruno Rigacci

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