PF alerta Toffoli: bloqueio de provas do Banco Master compromete investigação e desperdiça “horas de ouro”

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, enviou um comunicado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, alertando que a decisão de manter lacrados os bens apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero está comprometendo o avanço das apurações sobre supostas fraudes no Banco Master.

O impasse das “Horas de Ouro”

A manifestação da PF surge em resposta à determinação de Toffoli, expedida na quarta-feira (14), para que todo o material apreendido ficasse sob custódia direta de seu gabinete.

Embora a PF reconheça a legitimidade do controle judicial, a corporação argumenta que a medida inviabiliza o aproveitamento das chamadas “horas de ouro” — o período imediatamente posterior à apreensão. Segundo a perícia, esse intervalo é crucial para evitar a perda automática de dados, muitas vezes causada por sistemas de segurança e bloqueios remotos dos dispositivos.

PGR entra no circuito

Paralelamente ao pedido da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também solicitou a revisão da medida. Diante das manifestações, Toffoli determinou que as provas fossem encaminhadas à PGR.

Com essa nova decisão:

  • A Polícia Federal permanece impedida de analisar imediatamente os equipamentos;

  • A PGR, responsável por eventuais denúncias, ficará com a guarda do material para exame.

Mesmo sem acesso direto ao conteúdo, o ministro ordenou que a PF mantenha os aparelhos carregados e isolados de redes (modo avião e sem Wi-Fi), visando preservar a integridade dos dados até que a análise seja autorizada.

Justificativas sobre o “atraso” na operação

O ministro Toffoli havia cobrado explicações sobre o motivo de a operação não ter sido deflagrada nas 24 horas seguintes à autorização judicial. Em sua resposta, Andrei Rodrigues negou qualquer inércia ou desobediência.

O diretor-geral elencou os motivos logísticos para o tempo decorrido:

  1. Confirmação de dados sensíveis: Foi necessário verificar informações de alvos que estavam em deslocamento ou viagem.

  2. Concorrência de operações: A PF realizava simultaneamente outras grandes ações, como a Operação Overclean (sobre desvios de emendas parlamentares).

  3. Comunicação prévia: Rodrigues reiterou que todas as etapas foram informadas ao gabinete do ministro antes do prazo final, inclusive via telefone e mensagens.

A PF sustenta que a falta de acesso integral aos autos e a impossibilidade de periciar os bens de imediato continuam sendo os principais entraves para o ritmo da investigação.

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Bruno Rigacci

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