Toffoli aponta risco à investigação do Banco Master e cobra PF por atraso de 48h em ordens judiciais
A crise institucional em torno do escândalo do Banco Master ganhou um novo e tenso capítulo nesta quarta-feira (14). O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu um despacho exigindo explicações formais da Polícia Federal (PF) sobre o atraso no cumprimento de ordens judiciais cruciais para a investigação.
O documento de Toffoli intensifica a pressão sobre o caso, que já envolve atritos entre o Banco Central (BC) e o Tribunal de Contas da União (TCU).
“Causa Espécie”: O Atraso e o Risco
No despacho, o ministro Toffoli questiona incisivamente por que a Polícia Federal levou dois dias para executar medidas que deveriam ter sido implementadas no prazo de 24 horas. Segundo o magistrado, a demora “causa espécie” — uma expressão jurídica que denota surpresa e preocupação — e alerta para o risco de comprometimento das provas.
“O descumprimento do prazo pode resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu Toffoli em sua manifestação.
Entre os alvos das medidas cautelares cuja execução atrasou estava Fabiano Zettel. Ele é cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, considerado figura central nas investigações sobre o colapso da instituição financeira.
A Gravidade do Escândalo e Tensões Institucionais
O caso Banco Master tem escalado em gravidade e repercussão. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a caracterizar o episódio como “possivelmente a maior fraude bancária da história do país”, declaração que aumentou a pressão por respostas coordenadas das autoridades.
A demora da PF soma-se a um cenário já conturbado. Anteriormente, o caso gerou ruídos entre o TCU e o Banco Central, quando uma tentativa do Tribunal de Contas de auditar a liquidação do banco, conduzida pelo ministro Jonathan de Jesus, foi abortada após reações negativas do mercado financeiro e críticas sobre interferência na autonomia da autoridade monetária.
Credibilidade em Jogo
Especialistas do setor financeiro alertam que o maior risco do episódio reside no impacto sobre a confiança nas instituições reguladoras. O Banco Central, no papel de “xerife” do sistema financeiro nacional, depende de sua credibilidade para atuar com eficácia.
O próprio STF já enfrentava questionamentos desde que Toffoli assumiu a relatoria e impôs sigilo total aos autos. Agora, com o novo despacho, a atuação da Polícia Federal também passa a ser escrutinada em uma investigação de altíssima relevância.
Em caráter reservado, fontes próximas às investigações reconhecem que o “fio da meada” do caso Master pode revelar conexões muito mais amplas, envolvendo operações financeiras complexas, uso indevido de instrumentos regulatórios e possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional.





