Policial preso por criticar o regime morre sob custódia na Venezuela; família aguarda explicações
A crise de direitos humanos na Venezuela ganhou mais um capítulo trágico neste fim de semana. O Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos confirmou neste domingo (11) a morte de Edison Torres Fernández, de 52 anos. O ex-policial morreu enquanto estava sob custódia em uma unidade da Polícia Nacional Bolivariana.
Fernández faleceu no dia 10 de janeiro, na Delegacia de Polícia nº 7, localizada em Boleita, no estado de Miranda. Sua morte ocorreu apenas 62 horas após um anúncio oficial do regime que atualizava o número de detidos políticos no país.
Prisão por opinião
Edison Torres Fernández não era um militante partidário, mas um oficial de carreira com duas décadas de serviço na polícia do estado de Portuguesa, no noroeste venezuelano. Sua prisão ocorreu em 9 de dezembro de 2025. Segundo o Comitê que acompanha o caso, o motivo da detenção foi o compartilhamento de conteúdos críticos ao regime de Nicolás Maduro e ao governador de seu estado em redes sociais.
“Extraoficialmente, foi acusado de traição e conspiração criminosa”, informou a organização. Essas acusações vagas têm sido frequentemente utilizadas pelo judiciário venezuelano para processar dissidentes e críticos do governo.
Silêncio das autoridades
Até o fechamento desta reportagem, o governo venezuelano não havia emitido nenhum comunicado oficial explicando a causa da morte. A falta de informações revoltou os familiares e ativistas.
Em nota pública, o Comitê denunciou a opacidade do sistema prisional: “Até o momento, não há informações oficiais sobre as circunstâncias ou a causa de sua morte, nem sobre o atendimento médico que recebeu enquanto estava sob custódia”. A organização foi enfática ao atribuir a culpa às autoridades: “Essa falta de informação e transparência torna o Estado responsável por sua vida e bem-estar.”
Sequência de mortes
O caso de Fernández não é isolado e acende um alerta sobre as condições dos cárceres políticos na Venezuela. Nas últimas semanas, outras duas mortes de opositores sob custódia foram registradas: a de Jonathan Rodríguez, um jovem do estado de Aragua, e a de Alfredo Díaz. A recorrência desses episódios tem intensificado a pressão internacional sobre Caracas quanto ao tratamento dispensado aos presos de consciência.





