Irã enfrenta nova onda de protestos contra o regime e apagão na internet; embaixada em Londres é invadida

As principais cidades do Irã foram palco de novos e intensos protestos contra o regime teocrático na noite desta sexta-feira (9). As manifestações, que tiveram início há duas semanas impulsionadas pela insatisfação de comerciantes com a grave crise econômica, evoluíram para um movimento político massivo, representando um dos maiores desafios às autoridades que governam o país desde a Revolução Islâmica de 1979.

O filho do antigo xá, atualmente no exílio, incitou os opositores a “tomarem” os centros urbanos, o que foi atendido por milhares de cidadãos. Em resposta, o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, classificou os manifestantes como “vândalos” e acusou os Estados Unidos de incentivarem os distúrbios.

Apagão digital e denúncias de repressão

Os atos ocorreram sob um severo bloqueio de informações. Segundo o observatório Netblocks, na madrugada deste sábado, um “bloqueio nacional da internet permanecia em vigor após 36 horas”.

Cineastas e dissidentes renomados, como Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi, alertaram que o regime “cortou os meios de comunicação dentro do país” e “bloqueou todos os meios de contato com o mundo exterior”. Para Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, a estratégia tem um objetivo claro: “A experiência demonstra que o objetivo dessas medidas é encobrir a violência infligida durante a repressão aos protestos”, afirmou em sua conta no Instagram.

“Morte a Khamenei” e símbolos da monarquia

Apesar da censura, imagens circularam nas redes sociais e em canais de televisão em língua persa no exterior, revelando a dimensão dos atos. No distrito de Saadatabad, em Teerã, o som de panelas sendo batidas misturava-se aos gritos de “Morte a Khamenei!” e buzinas de carros em sinal de apoio.

Cenas semelhantes foram registradas em outras partes da capital e cidades importantes como Mashhad, Tabriz e Qom.

  • Em Hamadan: Imagens mostram um homem agitando uma bandeira iraniana da era imperial (com o emblema do leão e do sol), cercado por fogueiras e manifestantes dançando.

  • Em Punak (Teerã): Pessoas foram filmadas dançando ao redor de fogueiras em plena rodovia.

  • Em Vakilabad (Mashhad): Em uma área que abriga um dos santuários mais sagrados do islamismo xiita, multidões marcharam gritando slogans contra o Líder Supremo.

Repercussão Internacional

A tensão ultrapassou as fronteiras iranianas. Em Londres, a embaixada do Irã foi invadida por manifestantes. Um dos opositores escalou a fachada do prédio diplomático, arrancou a bandeira oficial da República Islâmica e hasteou a antiga bandeira dos tempos do Xá, ostentando o tradicional leão e a espada.

Nos Estados Unidos, o Secretário de Estado, Marco Rubio, manifestou apoio aos atos através da plataforma X, declarando que “os Estados Unidos estão do lado do corajoso povo iraniano”.

Compartilhe nas redes sociais

Bruno Rigacci

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site! ACEPTAR
Aviso de cookies