O “Fogo Amigo” no Planalto: Instabilidade e troca de cadeiras geram temor entre aliados de Lula
Nos corredores do poder em Brasília, uma máxima tem tirado o sono de antigos aliados do governo: quando o interesse político de Luiz Inácio Lula da Silva entra em jogo, a blindagem de seus ministros desaparece. O clima de desconfiança na Esplanada dos Ministérios cresce à medida que a reforma ministerial avança, deixando claro que ninguém está a salvo da “frigideira”.
O precedente Sabino e a saída de Lewandowski
A percepção de que o governo não hesita em “puxar o tapete” se consolidou com episódios recentes. O primeiro alerta veio com a situação de Celso Sabino. Certo de sua proteção e estabilidade, ele acabou sendo surpreendido pela articulação que fortaleceu o deputado Hugo Motta na indicação para o Turismo, mostrando que acordos partidários atropelam a fidelidade individual.
Mais emblemática, porém, foi a saída de Ricardo Lewandowski. O ex-ministro do Supremo, que assumiu a Justiça com status de “superministro”, viu sua pasta na iminência de ser fatiada para saciar o apetite do Centrão por cargos e controle. Diante do esvaziamento de sua autoridade, a demissão foi o caminho inevitável.
Economia e Educação em alerta
A tensão agora se volta para a equipe econômica. Nos bastidores, circulam informações de que Fernando Haddad estaria buscando uma “saída honrosa” do Ministério da Fazenda. O objetivo seria deixar o cargo antes de um possível agravamento do cenário econômico, preservando seu capital político para o futuro.
Na Educação, Camilo Santana também demonstra resistência às movimentações do Planalto. Com a gestão de um orçamento de R$ 31 bilhões no MEC, o ministro não vê vantagens em migrar para a Justiça ou Segurança Pública, onde teria de começar um trabalho do zero, sem a mesma capacidade de investimento e com alto risco de desgaste.
A lista de Vorcaro e o futuro de Anielle
Além das questões orçamentárias e estratégicas, o componente pessoal e ético adiciona pressão. O nome de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, aparece na bolsa de apostas como uma das próximas a deixar o governo.
Paralelamente, um silêncio tenso paira sobre diversos gabinetes: o medo de que nomes do alto escalão apareçam nas listas de convidados das festas promovidas pelo empresário Vorcaro. O temor é que a divulgação desses nomes possa gerar novos escândalos, fragilizando ainda mais a base aliada em um momento de recomposição política.





