Revelado o que há por trás da estranha megaoperação da PF
A Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (28) duas operações simultâneas com foco na desarticulação de esquemas bilionários de lavagem de dinheiro ligados ao crime organizado na cadeia produtiva de combustíveis. A ação, que mobilizou centenas de agentes em 10 estados, mira especialmente organizações criminosas com forte atuação nesse setor, entre elas, segundo as investigações, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Apesar de distintas, as operações têm como ponto comum o combate ao desvio de recursos e movimentações financeiras fraudulentas por meio de redes de postos de combustíveis, empresas de fachada e laranjas utilizados para ocultar a origem ilícita dos valores.
Em Brasília, uma coletiva de imprensa foi conduzida por representantes da Polícia Federal e da Secretaria da Receita Federal, com participação do secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, e do diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues.
Paralelamente, em São Paulo, outra coletiva foi realizada por membros do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que destacou ter iniciado a investigação em parceria com a Receita Federal. Os promotores afirmaram que as apurações vêm sendo conduzidas há mais de um ano, com cruzamento de dados fiscais e movimentações suspeitas em redes de postos.
Flávio Bolsonaro critica atuação do governo
Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou a operação, apontando o que classificou como uma tentativa do governo federal de se apropriar dos méritos da investigação. Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), ele disse:
“Vim aqui elogiar a megaoperação contra o esquema bilionário de lavagem de dinheiro do PCC em postos de gasolina.
Mas estão acontecendo 2 coletivas sobre o tema e não sei quem elogiar.
Uma em Brasília, com Taxad e o chefe da PF de Lula (que colocou os presídios em festa com sua eleição em 2022), querendo convencer alguém que estão combatendo o PCC.
Outra em São Paulo, com técnicos do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal, explicando que tudo começou com uma investigação do GAECO, com auxílio da Receita e dando detalhes da operação em 10 Estados do país.
Está no DNA do PT roubar… até o suor do trabalho dos outros.”
A declaração do senador reacendeu a tensão entre aliados do governo e da oposição, que têm travado uma disputa narrativa em torno de operações policiais e de combate ao crime organizado. O governo federal, por sua vez, ainda não respondeu oficialmente às críticas do parlamentar.
Impacto e próximos passos
As operações desta quinta-feira envolvem mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de contas e sequestro de bens. Os nomes dos alvos ainda não foram oficialmente divulgados, mas os investigadores falam em “prejuízo bilionário ao Estado” e “forte estrutura de lavagem montada por organizações criminosas de alcance nacional”.
A expectativa é de que novos desdobramentos sejam anunciados nos próximos dias, com possível oferecimento de denúncias pelo Ministério Público e reforço das investigações sobre a conexão entre o setor de combustíveis e o financiamento do crime organizado no Brasil.