Donald Trump não é o xerife do mundo, afirma Lula no Japão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou preocupação, na noite de quarta-feira (26), sobre as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos importados, durante uma entrevista coletiva em Tóquio, Japão. Lula, que finalizava sua visita de Estado ao Japão, alertou que essas novas tarifas poderiam aumentar o preço dos produtos e gerar inflação, um efeito que, segundo ele, Trump ainda não percebeu.
A Preocupação com a Inflação
“Isso vai elevar o preço das coisas e pode levar a uma inflação que ele [Trump] ainda não está percebendo”, afirmou o presidente brasileiro, destacando o impacto negativo dessa política de aumento de tarifas para a economia global, incluindo a brasileira. Lula também se mostrou crítico ao comportamento de Trump, lembrando que o presidente norte-americano não pode se ver como o “xerife do mundo”. Em sua opinião, medidas unilaterais como essa só agravam o quadro econômico e não ajudam na construção de uma solução colaborativa.
“Não prevejo um quadro positivo nessa política de aumento de taxação”, acrescentou Lula, sugerindo que o Brasil e outras nações precisam repensar como lidar com tais imposições, sem aceitar passivamente ações que afetam suas economias.
Resposta do Brasil
O presidente brasileiro também delineou as estratégias que o Brasil adotará para responder a essa tarifação. Lula afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), que regula o comércio internacional, para questionar a medida de Trump. Caso a reclamação não tenha resultados, o Brasil adotará a lei da reciprocidade tarifária, o que significa que o país tomaria medidas semelhantes contra os produtos importados dos Estados Unidos.
“É colocar em prática a lei da reciprocidade. Não dá para a gente ficar quieto achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar outros produtos”, declarou Lula, enfatizando que o Brasil não aceitará ser prejudicado sem reagir.
A Diplomacia Brasileira
Além da crítica às tarifas, Lula também aproveitou a oportunidade para reiterar sua posição sobre a importância de um diálogo mais amplo entre as nações. Ele reforçou a ideia de que é necessário mais do que nunca que os líderes mundiais busquem soluções em conjunto, ao invés de tomar decisões unilaterais que, segundo ele, podem prejudicar a economia global como um todo.
Conclusão
As declarações de Lula deixam claro que o Brasil não aceitará passivamente a política tarifária dos Estados Unidos e buscará, tanto por meios diplomáticos quanto econômicos, formas de proteger seus interesses e garantir que medidas como essas não prejudiquem o país de forma unilateral. A resposta do Brasil à tarifação de Trump será acompanhada de perto por outros países, uma vez que trata-se de uma questão que afeta o comércio internacional como um todo.