O governo interino da Venezuela, liderado por Delcy Rodríguez, teria adotado uma postura mais pragmática em relação ao ex-presidente Nicolás Maduro. Segundo informações atribuídas ao jornal britânico Financial Times, a libertação do antigo líder venezuelano deixou de aparecer como uma exigência central nas recentes negociações conduzidas pelo governo.
De acordo com o relato apresentado pela publicação, representantes do governo interino participaram de cinco reuniões em Caracas sem colocar a situação de Maduro ou de sua esposa, Cilia Flores, como condição prioritária para os entendimentos.
A mudança representa uma diferença significativa em relação à postura adotada anteriormente. Em janeiro, o governo de Rodríguez teria classificado a prisão de Maduro como uma agressão e defendido publicamente sua libertação.
Prioridade agora é a permanência no poder
A nova estratégia estaria relacionada à tentativa do governo interino de garantir estabilidade política e econômica em meio à delicada situação venezuelana.
Nesse cenário, a administração de Rodríguez passou a buscar maior aproximação internacional e a criar condições para a entrada de investidores estrangeiros no país, inclusive empresas dos Estados Unidos, especialmente no setor petrolífero.
A avaliação apresentada pelo Financial Times é de que o governo estaria evitando transformar a situação de Maduro em um obstáculo para seus próprios interesses políticos e econômicos.
Referências a Maduro perdem espaço
Outro sinal da mudança estaria na comunicação oficial do governo. Segundo o relato citado na matéria, cartazes que defendiam a libertação de Maduro teriam sido retirados de algumas cidades, enquanto murais e outras referências públicas ao ex-presidente passaram a ser apagados ou cobertos.
Delcy Rodríguez também teria reduzido as menções públicas ao antigo chefe do governo, adotando um discurso mais cauteloso enquanto promove mudanças na estrutura política e militar do país.
Chavismo dividido
A postura, entretanto, não seria consensual entre os apoiadores do chavismo. Setores mais próximos de Maduro criticam a condução das negociações e defendem que a situação do ex-presidente continue entre as prioridades do governo.
Enquanto isso, o processo judicial contra Maduro nos Estados Unidos segue seu curso, segundo as informações apresentadas na reportagem original.
O movimento de Delcy Rodríguez revela, portanto, uma possível transformação na estratégia do poder venezuelano. A defesa de Maduro, que anteriormente ocupava espaço importante no discurso oficial, estaria dando lugar a uma política concentrada na sobrevivência do governo interino, na estabilidade interna e na recuperação econômica.



