O relatório final da Polícia Federal sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), trouxe novos detalhes sobre as circunstâncias que antecederam a tragédia que matou 62 pessoas. Segundo a investigação, o comandante Danilo Romano teria assumido o comando de aeronaves ATR sem possuir a experiência mínima exigida pela própria companhia.
De acordo com a PF, a rápida ascensão profissional teria deixado o comandante mais vulnerável a pressões internas relacionadas ao registro de problemas técnicos. A investigação reuniu depoimentos de pilotos que relataram que profissionais mais rigorosos poderiam ser preteridos, enquanto aqueles considerados alinhados à chefia avançariam mais rapidamente na carreira.
Falta de experiência no modelo ATR
Romano havia trabalhado anteriormente com aeronaves da família Airbus e, segundo os investigadores, passou a comandar aeronaves ATR sem experiência anterior nesse modelo. A PF considera que essa falta de experiência prática pode ter influenciado a maneira como a tripulação reagiu ao acúmulo de gelo durante o voo que terminou em queda.
Outro ponto mencionado no relatório envolve relatos de pedidos para que determinadas falhas técnicas não fossem registradas. Conforme os depoimentos obtidos pela investigação, isso evitaria que aeronaves fossem retiradas de operação para manutenção.
Tragédia deixou 62 mortos
O voo 2283 caiu em Vinhedo com 62 pessoas a bordo e não houve sobreviventes. A investigação da PF aponta que a experiência limitada do comandante no modelo ATR foi um dos elementos considerados na análise da reação da tripulação diante das condições de gelo encontradas durante o voo.
A Voepass, por sua vez, contestou qualquer descumprimento dos procedimentos de segurança. Em nota, a companhia afirmou que seguia os protocolos de segurança, manutenção e treinamento previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e declarou que os pilotos eram treinados para enfrentar situações de formação de gelo e estavam devidamente habilitados e certificados.
O caso reacende o debate sobre treinamento, experiência dos pilotos, cultura de segurança e procedimentos internos das companhias aéreas, especialmente em operações envolvendo aeronaves que enfrentam condições meteorológicas adversas.



