Mesmo em meio ao momento de desgaste nas relações entre Brasil e Argentina, os dois países decidiram manter um importante compromisso na área militar. O governo do presidente Javier Milei autorizou oficialmente a participação da Marinha do Brasil na 39ª edição da Operação Fraterno, tradicional exercício naval realizado em conjunto pelas duas nações.
A autorização permite que navios e militares brasileiros permaneçam em território argentino entre os dias 10 e 24 de agosto, participando de treinamentos nas bases de Puerto Belgrano e Mar del Plata, além de operações em áreas marítimas sob jurisdição da Argentina. Entre os destaques da participação brasileira está o submarino Humaitá, que fará sua primeira missão internacional durante o exercício.
Criada em 1978, a Operação Fraterno tem como objetivo fortalecer a integração entre as Marinhas dos dois países, aprimorando procedimentos em missões marítimas, operações anfíbias e ações coordenadas no Atlântico Sul. Segundo as autoridades argentinas, a cooperação militar é considerada estratégica para a estabilidade regional e deve permanecer acima das divergências políticas momentâneas.
A decisão ocorre justamente em um período de forte tensão diplomática entre Brasília e Buenos Aires. Recentemente, o governo brasileiro retirou seu embaixador da Argentina após declarações do presidente Javier Milei e manifestações públicas de apoio ao senador Flávio Bolsonaro. Apesar do episódio, o governo argentino optou por não adotar medidas de retaliação e defendeu a preservação das relações institucionais entre os dois países.
O episódio evidencia que, embora o ambiente político permaneça marcado por divergências, áreas consideradas estratégicas, como a cooperação militar, continuam sendo preservadas. A manutenção da Operação Fraterno demonstra que Brasil e Argentina ainda buscam manter canais de diálogo em temas ligados à defesa e à segurança regional.



