Análise: Mendonça Evita “Armadilha” de Gilmar Mendes em Embate no STF
De acordo com o jornalista Augusto Nunes, em artigo publicado na Revista Oeste e repercutido pelo Jornal da Cidade Online, o recente embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e André Mendonça teve motivações previamente calculadas pelo decano da Corte.
O episódio ocorreu durante a sessão que pautou, de surpresa, a votação sobre a manutenção das prisões do pai e do primo do banqueiro Daniel Vorcaro, figuras centrais nas investigações do escândalo do Banco Master.
A Estratégia da Provocação
O texto de Nunes argumenta que Gilmar Mendes tentou aplicar com Mendonça a mesma tática de desestabilização que utilizou com sucesso no passado contra outros colegas de tribunal. A estratégia consistiria em provocar o oponente com apartes constantes e irritantes, com o objetivo de rebaixar um debate jurídico a um simples “bate-boca”.
O artigo relembra episódios históricos do STF para ilustrar a tática:
Com Joaquim Barbosa: O ex-ministro reagiu às provocações aos berros, afirmando que Gilmar não estava falando com “capangas a serviço do latifundiário mato-grossense”.
Com Luís Roberto Barroso: Barroso respondeu às interrupções com duras críticas no plenário, chamando Gilmar de “uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”.
Segundo a análise de Nunes, ao contrário de seus antecessores, André Mendonça não caiu no truque e manteve a compostura durante o duelo verbal.
Derrota no Plenário e Especulações
A sessão culminou na manutenção da prisão dos parentes de Daniel Vorcaro. Gilmar Mendes, que tentava convencer os companheiros de turma a conceder prisão domiciliar aos acusados, acabou isolado e foi derrotado por um placar de 3 votos a 1.
Augusto Nunes conclui seu artigo traçando um paralelo com eventos jurídicos anteriores e especulando sobre os próximos passos de Gilmar Mendes após a derrota na votação:
“Derrotado por 3 votos a 1 (o dele), já começou a coleta de vícios imaginários que lhe permitirão propor a anulação do processo. A malandragem deu certo com o fim da Operação Lava Jato, assassinada por excesso de êxitos. Deu certo com Lula, transferido da merecidíssima gaiola para a Presidência da República. Por que não recorrer aos mesmos truques para reprisar o triunfo da bandidagem envolvida no escândalo do Banco Master?”





