Governo Recua e Mantém Delegados da PF no STF Após Pressão de André Mendonça
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu suspender a ordem de retorno dos delegados da Polícia Federal (PF) cedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança de postura ocorreu após o ministro André Mendonça manifestar forte insatisfação com a possibilidade de perder um assessor essencial de seu gabinete.
A iniciativa de convocar os policiais de volta havia partido do Ministério da Justiça e Segurança Pública. De acordo com informações do SBT News, o STF foi provisoriamente retirado da lista de órgãos afetados pelo remanejamento do efetivo policial.
Preocupações com Investigações Sensíveis
Nos bastidores, o recuo é visto como uma forma de evitar que investigações estratégicas sejam prejudicadas. Integrantes do governo avaliaram que a retirada abrupta dos delegados poderia interromper trabalhos em andamento e comprometer a análise processual no Supremo.
A polêmica começou em abril, quando o Ministério da Justiça iniciou uma revisão da situação de policiais cedidos, justificando a medida como um esforço, orientado por Lula, para fortalecer as atividades operacionais da PF. No entanto, a ação foi interpretada por membros da Corte e da própria PF como uma tentativa de interferir na composição das equipes que conduzem investigações sensíveis.
O ponto central da tensão envolvia o possível afastamento do delegado Thiago Marcantonio Ferreira, que assessora o ministro André Mendonça desde 2025. Ele atua diretamente em processos de alta repercussão, como os que envolvem o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Master.
Impacto Limitado, Segundo Associação
Além de Marcantonio Ferreira, outros quatro delegados da PF atuam no STF, prestando assessoramento nos gabinetes dos ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
Enquanto o governo argumentava que a convocação visava reforçar as atividades institucionais da PF, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) questionou a justificativa. A entidade pontuou que a quantidade de delegados cedidos é muito pequena em relação ao contingente total, de modo que o retorno deles teria um impacto irrelevante na capacidade operacional da corporação.
Com a suspensão da medida, os delegados lotados no STF continuam em suas funções, enquanto o governo e as instituições discutem a questão internamente.





