Gilmar Mendes defende maturidade das instituições brasileiras frente à classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou oficialmente a recente decisão do governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, de classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Em entrevista, o magistrado minimizou a necessidade de alarde, avaliando que o Brasil possui instituições robustas e perfeitamente capazes de lidar com situações dessa natureza e com as contingências diplomáticas e de segurança que dela derivam.
“O Brasil tem sabido responder bem a essa contingência”, declarou o ministro.
Contexto Internacional e Maturidade Institucional
Ao contextualizar a relação atual entre Brasil e Estados Unidos, Gilmar Mendes relembrou episódios recentes de tensão comercial e jurídica para ilustrar a capacidade de resposta do país. “E todos acompanharam o tarifaço e a Lei Magnitsky”, acrescentou, sugerindo que a diplomacia e as instituições brasileiras já vêm lidando com medidas unilaterais americanas.
Para o decano do STF, a estrutura institucional brasileira demonstrou solidez ao longo de diferentes momentos de estresse político e jurídico nos últimos anos. Ele enfatizou que o país alcançou um grau de maturidade institucional que lhe permitiu enfrentar desafios relevantes com equilíbrio e dentro da legalidade.
Comparação com o 8 de Janeiro e a Suprema Corte dos EUA
Como ponto alto de sua análise sobre a força das instituições democráticas, Gilmar Mendes traçou um paralelo entre os acontecimentos de 6 de janeiro nos Estados Unidos e de 8 de janeiro no Brasil. Embora reconheça semelhanças entre os dois episódios de ataque aos Poderes, o ministro destacou as diferenças nas respostas institucionais adotadas por cada país.
Ao comparar a atuação do Judiciário brasileiro com o americano diante dos respectivos episódios, Gilmar Mendes defendeu a eficácia da resposta dada pelo STF.
“A Corte Suprema americana enfrentou tema semelhante ao nosso e talvez as nossas respostas tenham sido mais adequadas”, afirmou o decano, sugerindo que o Brasil agiu com maior firmeza ou adequação jurídica na preservação do Estado de Direito após os ataques.





