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Relatório dos EUA Cita Decisões de Moraes e Sistema Pix para Justificar Possível “Tarifaço” de 25% ao Brasil

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou nesta segunda-feira (2/6) um relatório detalhado que propõe a aplicação de uma nova tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. O documento utiliza como base de sua argumentação fatores como o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro (Pix) e, de forma contundente, decisões proferidas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Mira nas Decisões do STF e Moderação de Conteúdo

O relatório foca especialmente nas ações do Judiciário brasileiro que interferem na operação de plataformas digitais e em políticas de moderação de conteúdo na internet. Embora o documento não mencione nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, as descrições das ordens judiciais analisadas coincidem com decisões amplamente atribuídas ao magistrado, além de citar o ministro Dias Toffoli.

Entre os principais exemplos de intervenções judiciais destacadas pelo órgão norte-americano como justificativas para a adoção da medida comercial punitiva, encontram-se:

  • Bloqueios de Plataformas: O texto cita a suspensão da rede social X (antigo Twitter), de propriedade de Elon Musk, ocorrida temporariamente em 2024, e do Rumble, em 2025.

  • Ações Coercitivas e Penalidades: O USTR detalha o rigor das punições aplicadas à plataforma X por se recusar a remover conteúdos e a nomear um representante local. “Além de impor multas diárias significativas ao X por descumprir essa ordem de remoção, um tribunal brasileiro congelou contas bancárias, ativos financeiros, veículos e imóveis da empresa; bloqueou a entrada e saída de aeronaves registradas em seu nome; impediu o Banco Central do Brasil de enviar ativos financeiros do X para o exterior; e bloqueou plataformas de processamento de pagamentos para a empresa”.

  • Perseguição a Criadores de Conteúdo: O relatório faz menção específica à remoção e desmonetização de contas pertencentes a “um popular podcaster brasileiro que reside na Flórida”. O perfil descrito é compatível com o do jornalista Allan dos Santos, investigado no inquérito relatado por Alexandre de Moraes.

Críticas ao Sistema Pix

O relatório expande o escopo de suas críticas e também direciona questionamentos estruturais ao sistema de pagamentos Pix. Na visão do USTR, o modelo atual favorece os operadores locais em detrimento de companhias internacionais do setor financeiro, caracterizando uma possível desvantagem competitiva para o mercado externo.

Os EUA argumentam que:

  • O Banco Central do Brasil concentra as funções de regulador e operador do sistema Pix simultaneamente, o que poderia configurar um “potencial conflito de interesses”.

  • Essa centralização de poder estrutural proporcionaria ao Pix “vantagens competitivas” em relação às soluções de pagamentos digitais privadas que são ofertadas por empresas estrangeiras.

Próximos Passos do “Tarifaço”

A aplicação da sobretaxa de 25% não é automática e a proposta integra um processo que ainda deverá passar por diversas etapas institucionais. Estão previstas análises, debates em audiências públicas e avaliação pelas autoridades dos EUA. A palavra final sobre a adoção das tarifas caberá exclusivamente ao presidente Donald Trump.

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Bruno Rigacci

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