ADS

Moraes finalmente cede e concede prisão domiciliar a mãe de três filhos condenada pelo 8 de janeiro

Após mais de três anos de encarceramento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu uma decisão que há muito era cobrada pelas defesas dos presos políticos: concedeu a progressão para prisão domiciliar a Juliana Gonçalves Lopes Barros, de 36 anos, condenada a uma pesada pena de 17 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

A decisão, assinada na última terça-feira (19), foi embasada no fato de Juliana ser mãe de três filhos — sendo dois deles menores de 12 anos —, o que, por lei, lhe garante o direito de cuidar das crianças.

O longo período na prisão e o reencontro familiar

Juliana já cumpriu três anos e quatro meses de pena em regime fechado na unidade prisional de Luziânia. Ao longo desse período, segundo os autos, ela manteve bom comportamento e participou ativamente de atividades de estudo, leitura e trabalho dentro do presídio, fatores que pesaram a favor da decisão do ministro.

Com o alvará de soltura expedido, a defesa da condenada celebrou o reencontro de Juliana com a família.

“A decisão representa um importante passo na preservação das garantias constitucionais, da dignidade da pessoa humana e da proteção da unidade familiar. (…) Juliana é mãe de três filhos, que aguardavam ansiosamente por seu retorno ao lar”, declarou a defesa em nota.

Os advogados aproveitaram para reiterar uma crítica constante nos processos do 8 de janeiro: a necessidade de se julgar cada pessoa por seus atos específicos. “A defesa sempre sustentou a necessidade de análise individualizada das condutas, observando os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da proporcionalidade”, completaram.

Liberdade condicional e “mordaça”

Apesar de poder retornar ao convívio de seus filhos, Juliana está longe de ter sua liberdade plena restaurada. A mudança de regime vem acompanhada de restrições severas, marca registrada das medidas cautelares impostas pelo STF nos inquéritos relatados por Moraes:

  • Monitoramento integral: Uso ininterrupto de tornozeleira eletrônica.

  • Mordaça virtual: Proibição total de acessar e utilizar qualquer rede social.

  • Isolamento social: Proibição de receber visitas em casa, com exceção de seus advogados. Qualquer outra visita dependerá de autorização expressa e prévia do próprio STF.

Na decisão, Alexandre de Moraes deixou um recado claro em tom de ameaça legal: “O descumprimento da prisão domiciliar ou de qualquer uma das medidas alternativas implicará na reconversão da domiciliar em prisão dentro de estabelecimento prisional”.

Compartilhe nas redes sociais

Bruno Rigacci

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site! ACEPTAR
Aviso de cookies