Petistas acionam TSE para barrar exibição do filme “Dark Horse” e apontam propaganda antecipada
O embate político e cultural em torno da produção cinematográfica “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, chegou oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Grupo Prerrogativas (coletivo de advogados alinhados à esquerda) e o deputado federal e pré-candidato Rogério Correia (PT) protocolaram uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a proibição imediata da exibição do filme até o término do calendário eleitoral de 2026.
A obra tem sua estreia programada para setembro deste ano, período que antecede diretamente o primeiro turno das eleições presidenciais.
Os Argumentos da Ação: Propaganda e Financiamento
O cerne da petição encaminhada ao TSE baseia-se em duas frentes principais de acusação:
1. Propaganda Antecipada e Interferência Eleitoral: Os autores da ação alegam que o lançamento de uma obra biográfica de caráter político às vésperas do pleito configura propaganda eleitoral disfarçada. Segundo os petistas, o filme tem “potencial para impactar o debate nacional e comprometer a igualdade de oportunidades entre candidatos”, influenciando diretamente a formação da opinião pública.
2. A Polêmica do Financiamento: A petição solicita ainda uma devassa financeira no projeto. A base do pedido são as reportagens recentes do The Intercept Brasil, que divulgaram áudios e mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro (investigado no Caso Master).
De acordo com o material vazado, o senador teria negociado um repasse total de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para a produção. Os documentos indicam que ao menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.
“O valor noticiado supera em muito a escala ordinária de uma produção cultural politicamente neutra. A magnitude financeira, combinada com o conteúdo biográfico-político da obra e com o calendário de lançamento (…) aproxima o caso de uma operação de comunicação política de massa”, argumentam os advogados na petição.
Os Pedidos Feitos à Justiça
Além do bloqueio temporário do filme, a ação petista faz solicitações amplas às autoridades:
Ao TSE: Investigação por abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, financiamento eleitoral paralelo e caixa dois.
Aos Órgãos de Controle (PGR, PF e Ministério da Justiça): Apuração de possíveis crimes financeiros conexos, incluindo lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiários e fraudes cambiais.
Na conclusão, o grupo reitera que a proibição cautelar (da exibição, distribuição e impulsionamento do filme) é uma “medida necessária, adequada e proporcional” para garantir a lisura da disputa presidencial. O caso agora aguarda análise e decisão da Corte Eleitoral.





