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Encurralado, CEO da AtlasIntel tenta “armadilha retórica” para justificar pesquisa contra Flávio Bolsonaro

O debate sobre a isenção dos institutos de pesquisa ganhou um novo e explosivo capítulo nesta terça-feira (19). O renomado jornalista Cláudio Dantas expôs publicamente Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, questionando a metodologia de um recente levantamento que colocou Lula muito à frente de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.

Segundo Dantas, o instituto utilizou táticas questionáveis e vieses de confirmação para atingir o senador, enquanto poupava o atual presidente. O embate ocorreu na rede social X (antigo Twitter), revelando os bastidores de como as perguntas são elaboradas para moldar a percepção pública.

A “Armadilha Retórica”

Após ser confrontado publicamente sobre o viés da pesquisa, o CEO da AtlasIntel ofereceu a Dantas a oportunidade de “indicar algum áudio ou vídeo sobre Lula” para ser testado em um levantamento futuro. Para o jornalista, a atitude não passa de uma manobra diversionista.

“Trata-se, claro, de uma armadilha retórica para tentar demonstrar isenção. Se realmente fosse isento, o pesquisador e seu instituto já teriam questionado o eleitor sobre o envolvimento de Lula e do PT com o Caso Master”, rebateu Dantas.

Omissões e Blindagem: O Peso de Lula no “Caso Master”

O escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro tem sido uma pedra no sapato de diversas figuras políticas, mas, segundo a análise do jornalista, o instituto de pesquisa tem evitado expor o lado petista da trama. Dantas listou uma série de fatos já revelados pela imprensa que, misteriosamente, ficaram de fora dos questionários da AtlasIntel:

  • Encontros Secretos: Conselhos dados por Lula ao banqueiro.

  • Apoio Financeiro: Suporte financeiro e institucional do governo à farmacêutica que tinha Vorcaro como principal acionista.

  • Nomeações de Peso: A contratação de figuras como Guido Mantega e o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski.

  • Rede de Contatos: A relação direta de ministros como Rui Costa e Jaques Wagner com Augusto Lima e Daniel Monteiro, respectivamente sócio e advogado de Vorcaro.

“Dava para fazer uma pesquisa inteira só com perguntas sobre essas e outras evidências”, argumentou o jornalista. Ele relembrou que a única vez que o escândalo foi citado antes (em uma pesquisa de março), limitou-se a 6 perguntas genéricas sobre a confiança no Supremo Tribunal Federal, ignorando fatos graves como o contrato de R$ 129 milhões de Viviane Barci ou a compra da sociedade do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá.

Dois Pesos, Duas Medidas na Pesquisa

O grande contraste, aponta a denúncia, está na forma como o questionário tratou Flávio Bolsonaro. Enquanto Lula é preservado, a pesquisa sobre o senador foi carregada do que Dantas classificou como “expressões e gatilhos emocionais evidentes”.

O questionário da AtlasIntel contra Flávio perguntou de forma direcionada:

  1. Qual grupo político estaria “mais envolvido” no escândalo (sem apresentar as acusações que pesam contra os adversários).

  2. Se o áudio vazado de Flávio “surpreendeu” o eleitor.

  3. Se o áudio “evidencia seu envolvimento direto” no escândalo.

  4. Se ele deveria desistir de concorrer à Presidência.

A disparidade metodológica levanta sérias dúvidas sobre a integridade do levantamento e acende um alerta vermelho sobre a instrumentalização de pesquisas eleitorais para fins de assassinato de reputação às vésperas de um ano decisivo.

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Bruno Rigacci

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