Operação Compliance Zero: Último pedido de ‘Sicário’ reforça participação de Henrique Vorcaro em esquema
Novos desdobramentos da Operação Compliance Zero indicam que o empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, possuía uma participação muito mais ampla e influente dentro da estrutura criminosa investigada pela Polícia Federal do que se imaginava inicialmente.
A prisão de Henrique Vorcaro, autorizada nesta quinta-feira (14) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi embasada em novos elementos que o colocam como uma figura de referência para o núcleo de inteligência e intimidação ligado ao controlador do Banco Master.
O Último Pedido de ‘Sicário’
As suspeitas sobre o nível de envolvimento de Henrique ganharam força após a Polícia Federal colher depoimentos de familiares de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. Apontado como o operador estratégico do esquema, Mourão foi detido em 4 de março durante uma das fases da operação.
De acordo com os relatos anexados ao inquérito sigiloso, logo após ser preso, “Sicário” teve direito a duas ligações telefônicas. Em ambas, ele orientou sua mãe e sua irmã a procurarem Henrique Vorcaro imediatamente, afirmando que o empresário saberia como ajudar e orientar a família naquele momento crítico.
Pouco depois de ser colocado em uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, Mourão tentou suicídio por enforcamento. A morte cerebral foi confirmada dois dias depois. Para os investigadores, as ligações derradeiras de “Sicário” atestam a hierarquia e a confiança depositada no pai de Daniel Vorcaro.
A Atuação do Grupo “A Turma”
A decisão assinada pelo ministro André Mendonça detalha que Henrique Vorcaro atuava ao lado do filho “na solicitação e no beneficiamento dos serviços prestados” por um núcleo investigado sob o nome de “A Turma”.
Segundo a Polícia Federal, este grupo era responsável por atividades ilícitas, incluindo:
Ameaças e intimidações a alvos específicos;
Realização de ataques cibernéticos;
Obtenção ilegal de dados sigilosos;
Acesso indevido a sistemas governamentais.
A perícia realizada nos celulares apreendidos pela PF corroborou as suspeitas, mostrando que “Sicário” manteve contato frequente com Henrique Vorcaro e outros membros do esquema nos dias que antecederam a sua prisão.
Histórico Criminal e Conexões
As apurações da polícia revelaram que a relação entre Luiz Phillipi Mourão e Daniel Vorcaro era antiga, originada na juventude de ambos na cidade de Belo Horizonte.
Os registros investigativos apontam que “Sicário” já acumulava uma extensa ficha criminal no estado de Minas Gerais antes de atuar para o grupo. Seus antecedentes criminais envolviam furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos, clonagem de cartões bancários e aplicação de golpes digitais.





