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Quebra de sigilo aponta que Daniel Vorcaro gastou R$ 104 milhões em cartões de crédito

Documentos provenientes da quebra de sigilo fiscal do banqueiro Daniel Vorcaro, obtidos pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, revelaram gastos que ultrapassam a marca de R$ 104,4 milhões em faturas de cartões de crédito entre os anos de 2019 e 2025.

As informações vêm à tona em meio às investigações sobre os negócios do Banco Master. A principal suspeita das autoridades é de que Vorcaro teria operado um esquema de distribuição de vantagens indevidas por meio do fornecimento de cerca de 90 cartões de crédito com limite ilimitado a autoridades públicas.

O Suposto Esquema

Segundo os investigadores, o método consistia em emitir os cartões em nome do próprio Daniel Vorcaro, utilizando a estrutura do seu banco (Banco Master). Ao entregar esses cartões para o uso de terceiros, o banqueiro supostamente blindava as autoridades beneficiadas, uma vez que as despesas não deixavam rastros diretos no CPF ou nas contas bancárias dos usuários finais.

Detalhamento dos Gastos

Os dados da quebra de sigilo mostram um alto volume de movimentação financeira ao longo de seis anos. A média de gastos mensais nas faturas ligadas a Vorcaro foi de R$ 1,6 milhão.

Do montante total de R$ 104,4 milhões, a maior parte — cerca de R$ 45,3 milhões — foi gasta utilizando cartões emitidos pelo próprio Banco Master. Vorcaro também utilizou plásticos de outras instituições financeiras, como Bradesco, Itaú, Original, Safra, Santander, Caixa Econômica Federal e Sicoob.

Abaixo, a evolução dos gastos nos anos detalhados pelo documento:

  • 2021: O banqueiro começou a concentrar os gastos nos cartões de sua instituição. Naquele ano, faturou um total de R$ 17,8 milhões (sendo R$ 8,7 milhões apenas em cartões do Master).

  • 2023: As faturas somaram R$ 17,2 milhões no ano (com R$ 8,5 milhões oriundos de cartões do Master).

  • 2024 (O pico de gastos): Foi o ano com o maior volume de despesas registradas, atingindo um total de R$ 34 milhões. Desse valor, R$ 21,7 milhões foram gastos exclusivamente nos cartões do Banco Master.

  • 2025: Até o mês de junho, o levantamento já apontava R$ 11,3 milhões em despesas faturadas.

Contexto das Investigações

O ano de 2024, que registrou o recorde de gastos nos cartões, coincide com o período em que a Polícia Federal (PF) iniciou as investigações formais contra o Banco Master. A instituição financeira passou a ser alvo das autoridades sob a suspeita de “fabricação” de carteiras de crédito falsas. Os novos documentos da CPMI do INSS agora integram o escopo das apurações sobre a suposta rede de influência do banqueiro.

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Bruno Rigacci

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