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Caso Ypê: Suspensão da Anvisa vira embate político e gera críticas de Janja a manifestantes

A recente determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolvendo o recolhimento de lotes de produtos da marca Ypê ultrapassou o campo sanitário e se transformou no mais novo foco de polarização política no Brasil. O embate ganhou novos contornos nesta segunda-feira (11) após declarações da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), durante um evento no Palácio do Planalto em homenagem às vítimas da Covid-19.

Entenda a Polêmica

O caso teve início quando a Anvisa determinou a suspensão e o recolhimento de lotes específicos de produtos fabricados pela Química Amparo (dona da marca Ypê) devido à identificação de risco de “contaminação microbiológica”. A medida é um procedimento padrão do órgão regulador para proteger a saúde do consumidor quando há desvios de qualidade na produção.

No entanto, a decisão técnica rapidamente ganhou uma leitura política nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a acusar a Anvisa de perseguição política, sob o argumento de que empresários ligados à Química Amparo teriam feito doações à campanha de Bolsonaro nas eleições de 2022.

Como forma de protesto contra o governo atual e a agência reguladora, manifestantes de direita começaram a utilizar frascos de detergente Ypê em atos públicos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também endossou o movimento, publicando no último sábado (9) uma foto em suas redes sociais segurando um produto da marca.

A Reação de Janja

As manifestações de apoio à marca motivaram críticas duras por parte da primeira-dama Janja. Durante seu discurso no memorial às vítimas da pandemia, ela traçou um paralelo entre o consumo de produtos reprovados por órgãos de saúde e a onda de desinformação que marcou a crise sanitária no país.

“Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância”, declarou a primeira-dama, referindo-se aos vídeos de apoiadores do ex-presidente manipulando os produtos suspensos.

Janja utilizou o episódio para relembrar os impactos do negacionismo científico, citando casos de famílias que perderam filhos por recusa à vacinação, e cobrou a responsabilização de figuras públicas envolvidas na disseminação de notícias falsas.

“Ainda falta um pedacinho dessa ponta, que é a Justiça. Ver as pessoas que ajudaram esse quadro estarem andando livremente pelo país, inclusive eleitos, me causa muita revolta”, concluiu.

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Bruno Rigacci

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