O Papel de Davi Alcolumbre na Inédita Rejeição de Jorge Messias ao STF
A recente recusa do Senado Federal ao nome de Jorge Messias para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF) quebrou um longo paradigma histórico: desde 1894 um indicado à mais alta Corte do país não era barrado pelos senadores. O episódio, celebrado por alguns setores como um respiro republicano, expôs uma intensa disputa de poder nos bastidores de Brasília.
O Perfil do Candidato Rejeitado A reprovação de Messias foi impulsionada por críticas severas ao seu currículo e à sua atuação no governo. Segundo o editorial do jornal Estadão, mencionado pelo analista Renato Sant’Ana, a gestão de Messias à frente da Advocacia Geral da União (AGU) foi marcada pela criação da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, um órgão duramente criticado e rotulado como uma “divisão de censura” que visava calar vozes discordantes sob a justificativa de combater informações equivocadas. Além disso, seu discurso após a derrota no Senado foi avaliado como “muito raso”.
A “Figura-Chave”: Davi Alcolumbre O grande articulador dessa derrota do governo Lula teria sido o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Sua motivação, no entanto, passaria longe de um idealismo institucional. Alcolumbre desejava emplacar o nome de Rodrigo Pacheco na vaga do STF e sentiu-se traído quando Lula optou por Messias. Em retaliação por ter ajudado o governo na aprovação de outros nomes (como Flávio Dino e Paulo Gonet), Alcolumbre declarou que o presidente “veria o que era ter o presidente do Senado como inimigo”.
Um Histórico de Controvérsias O protagonismo de Alcolumbre levanta desconfianças sobre as verdadeiras intenções do Senado. O parlamentar possui um histórico de usar regras do regimento para atender a interesses obscuros, tendo impedido no passado a prorrogação da CPMI do INSS e da CPMI do crime organizado. Ele também já foi alvo de inquéritos no próprio STF por acusações de crimes eleitorais e falsidade ideológica referentes à campanha de 2014.
Diante desse cenário, a rejeição de Messias soa como uma forte rasteira no Executivo e um recado ao STF, mas especialistas alertam: a manobra de Alcolumbre deixa a dúvida se presenciamos um ato em defesa da República ou apenas mais um capítulo do pesado balcão de negócios no Senado.





