“Caça às bruxas” no Planalto: Clima de desconfiança estremece relação do governo com aliados após derrota de Messias
O Palácio do Planalto vive dias de tensão máxima e desconfiança generalizada. A rejeição histórica do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado Federal abriu uma crise profunda na base aliada, transformando os bastidores do poder em um cenário de “caça às bruxas”. O governo Lula agora corre contra o tempo para estancar a sangria política e identificar os responsáveis pela articulação desastrosa que resultou na derrota.
A desgastada relação entre o Executivo e o Legislativo sofreu novos abalos com a troca de acusações de traição. O MDB, um dos principais pilares de sustentação do governo no Congresso, tornou-se alvo preferencial das especulações.
MDB nega traição e critica busca por “bodes expiatórios”
Diante do clima pesado, o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), veio a público para negar veementemente que a bancada do partido tenha atuado contra a indicação de Messias. Braga classificou as versões que circulam nos corredores de Brasília como fruto de “intriga” e “maledicência”.
Em tom de crítica à condução política do Planalto, Braga disparou: “Aqueles que deveriam aprender com os erros estão afastando aliados ao tentar criar um ‘bode expiatório’ para a situação”.
Na mesma linha, o senador Renan Calheiros (AL) também rechaçou as insinuações de que teria traído o governo na votação secreta. Renan subiu o tom contra o fogo amigo vindo de dentro do próprio PT.
“São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias”, afirmou o senador alagoano. Ele completou com uma frase de efeito que expõe a gravidade da crise interna: “Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo”.
Fogo amigo: Jaques Wagner e José Guimarães sob fogo cruzado
Para agravar o cenário, a desconfiança do Planalto não se restringe aos partidos aliados, atingindo a própria bancada do PT e ministros de confiança do presidente Lula.
Fontes do Palácio indicam que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), está sendo acusado por aliados de Messias de ter feito “corpo mole” durante o processo de angariação de votos, não empenhando o esforço necessário para garantir a aprovação.
Outro alvo das críticas severas é o ministro José Guimarães. Guimarães, que assumiu o cargo há apenas duas semanas, foi duramente criticado por aliados que afirmam que a articulação política do governo foi amadora. Para eles, diante do cenário de incerteza, o governo deveria ter agido para adiar a votação no plenário em vez de arriscar uma derrota certa.
O clima no Palácio do Planalto é de paralisia e ressentimento. Enquanto a “caça aos traidores” continua, o governo Lula acumula o desgaste de uma derrota que expôs a fragilidade de sua base no Senado e a ineficiência de sua coordenação política.





