PF aponta que banqueiro Daniel Vorcaro financiou eventos de luxo para autoridades na Europa
De acordo com apurações da Polícia Federal divulgadas pela Folha de S.Paulo, o banqueiro Daniel Vorcaro foi o responsável por financiar uma série de eventos e despesas para autoridades brasileiras durante conferências na Europa no ano de 2024. Os gastos totais do empresário com essas agendas chegaram a US$ 11,5 milhões (cerca de R$ 60 milhões na cotação da época).
Agenda Paralela no “Gilmarpalooza”
Durante o Fórum Jurídico de Lisboa — evento de junho de 2024 organizado pelo ministro Gilmar Mendes e frequentemente apelidado de “Gilmarpalooza” —, a equipe de Vorcaro teria promovido uma luxuosa agenda paralela para os convidados.
Entretenimento e Luxo: O pacote extraoficial incluiu festas com DJs, dançarinas, jantares e até compras em shopping.
Transporte VIP: Foi registrado o fretamento de dois jatinhos particulares de Lisboa para Brasília, ao custo de US$ 232,6 mil (R$ 1,2 milhão), para o uso de participantes do evento.
Custo total em Portugal: As despesas do banqueiro no país somaram cerca de US$ 1,6 milhão (R$ 8,3 milhões).
Fórum em Londres e Homenagens
A maior fatia dos gastos, contudo, foi destinada ao 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres entre os dias 24 e 26 de abril de 2024. Vorcaro teria desembolsado US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões) para custear hospedagem, estrutura e eventos sociais para cerca de 70 pessoas. Segundo a apuração, apenas 25 desses convidados participaram diretamente dos debates.
A programação na capital inglesa também incluiu uma noite de homenagens com entrega de troféus de cristal ao ex-presidente Michel Temer em um tradicional museu londrino.
Autoridades Citadas
A investigação da Polícia Federal listou diversas autoridades de alto escalão da República que teriam viajado com as despesas custeadas pelo banqueiro. Entre os nomes que chamaram a atenção estão:
Ministros do STF: Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes (que à época presidia o TSE).
Membros do Governo Federal: Ricardo Lewandowski (ex-ministro da Justiça e Segurança Pública) e Jorge Messias (Advogado-Geral da União).
Cúpula de Instituições: Paulo Gonet (Procurador-Geral da República), Andrei Rodrigues (Diretor-Geral da Polícia Federal) e Alexandre Cordeiro (presidente do CADE à época).





