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Jornalista critica Gilmar Mendes por confundir sátira com “deep fake” em embate contra Romeu Zema

Nesta segunda-feira (27 de abril de 2026), o embate entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ganhou grande repercussão após a publicação de um artigo crítico na Folha de S.Paulo. O centro da discussão é um pedido do magistrado para que Zema seja investigado no inquérito das fake news devido a um vídeo satírico.

A jornalista Lygia Maria fez duras críticas à postura do ministro, apontando uma falha na compreensão conceitual básica do que constitui o humor político.

A confusão tecnológica e a sátira

O pedido de investigação de Mendes foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes — atual relator do inquérito das fake news. No documento, Mendes argumenta que o vídeo utilizava “avançados mecanismos de deep fake” para emular as vozes dos ministros da Suprema Corte, forjando diálogos inexistentes com o intuito de atacar a instituição.

Lygia Maria, no entanto, rebateu o argumento destacando a incompatibilidade entre o uso de fantoches (elementos abertamente caricatos) e a tecnologia deep fake, cujo propósito é criar conteúdos extremamente realistas com a intenção de enganar o espectador.

“É lamentável que o ministro de uma corte constitucional não saiba o que é sátira. Afinal, foram os textos constitucionais das democracias modernas que, ao consagrarem a liberdade de expressão, protegeram a crítica humorística a figuras públicas contra os arbítrios persecutórios do passado”, escreveu a jornalista.

Ela também ressaltou que exigir factualidade de uma peça de humor é um “disparate”, comparando a situação a uma cobrança de rigor jornalístico em quadros de programas como o Casseta & Planeta. “Tal ignorância digital seria risível, se não se prestasse a infringir a liberdade de expressão”, completou.

Reação do Governador

Apesar da pressão jurídica e da ameaça de investigação no STF, o governador Romeu Zema indicou que não pretende recuar. Em resposta aos desdobramentos, Zema optou por manter o tom irônico, fazendo novas piadas sobre a situação em suas redes.

“Se Sapão falou isso de mim, o que dirá ele de Guimarães Rosa”, ironizou o governador mineiro, referindo-se ao episódio.

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Bruno Rigacci

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