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“Sentiu o golpe”: Gilmar Mendes reage com ironia e irritação a pedido de indiciamento pela CPI

A temperatura da crise institucional em Brasília subiu mais alguns graus nesta terça-feira. Após o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, formalizar o pedido de indiciamento contra membros da cúpula do Judiciário, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu vir a público para rebater as acusações.

Em uma manifestação carregada de ironia e indignação, o decano do Supremo demonstrou incômodo com a inclusão de seu nome no relatório final do colegiado, fato que levou críticos e opositores a avaliarem que o magistrado “sentiu” o peso da ofensiva parlamentar.

O Desafio e as “Assombrações”

Sem citar diretamente o nome do relator, Gilmar Mendes desdenhou da validade do documento da CPI e insinuou motivações obscuras por trás do indiciamento:

“Quando vi meu nome nessa tal lista de indiciados, eu disse: é curioso, ele se esqueceu de seus colegas milicianos.”

Na sequência, o ministro adotou um tom de desafio direto aos parlamentares que assinam a ofensiva contra o STF, recorrendo a expressões populares para afirmar que não se deixará intimidar pelo avanço das investigações que tangenciam o escândalo do “Caso Master”.

“Eu, como sabem, adoro ser desafiado. Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’. Adoro ser desafiado. Me divirto com isso. Mas outros se acoelham, têm medo. E assombração, também dizemos no interior, aparece para quem acredita nisso. É preciso que a gente esteja atento, inclusive para dizer para aqueles que têm medo de assombração, que eles não existem, que são fantasmas, que não amedrontam, que são fantoches.”

A Leitura Política: O Ministro “Sentiu”

Apesar do esforço para transparecer tranquilidade e superioridade diante da CPI, a dura manifestação pública de Gilmar Mendes foi interpretada nos corredores do Congresso como um claro sinal de alerta dentro do STF.

A articulação para incluir os ministros e o Procurador-Geral da República no relatório de indiciamento expõe as fraturas entre os Poderes e sinaliza que o Senado, impulsionado pela pressão popular, começa a reagir às seguidas manobras de blindagem institucional. A resposta inflamada do decano confirma que a investida da CPI acertou um nervo sensível da Suprema Corte.

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Bruno Rigacci

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