Fux rebate críticas ao Rio de Janeiro no STF e manda duro recado a colegas de Corte
Um clima de tensão e troca de farpas marcou a mais recente sessão do Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio ocorreu durante o julgamento que definirá se a eleição para o mandato-tampão de governador do Rio de Janeiro será direta ou indireta, gerando um forte embate sobre a moralidade política no estado.
Durante a sessão, os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino teceram duros comentários a respeito da situação degradante da política fluminense, lembrando que não há governador recente no estado que não tenha sido preso ou forçado a sair do cargo.
O decano Gilmar Mendes chegou a afirmar que, segundo informações do diretor da Polícia Federal, “32 ou 34 parlamentares da Assembleia [Legislativa fluminense] recebem mesada do jogo do bicho”. Mendes completou a fala dizendo: “Estamos vivendo esses episódios a toda hora; Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”.
A forte reação de Luiz Fux
Carioca e com fortes raízes em seu estado natal, o ministro Luiz Fux sentiu-se na obrigação de intervir e rebater as falas dos colegas. Ele classificou os comentários como uma “manifestação de profundo descrédito em relação ao Rio de Janeiro de forma generalizada”.
Em seu contra-ataque, Fux relembrou escândalos de corrupção em nível federal para argumentar que a imoralidade política não é uma exclusividade do Rio de Janeiro, citando nominalmente casos recentes que rondam o próprio judiciário:
“Eu até credito que muitos assim o fizeram, porque ingressaram no Supremo Tribunal Federal em época posterior, mas essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, do julgamento da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro.”
Fux defendeu que há bons representantes do estado na Câmara Federal e finalizou com uma frase de forte impacto no plenário: “De sorte que se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades.”
Análise: O “troco” e os bastidores do STF
Segundo análise do jornalista Mario Sabino, a atitude de Fux não foi apenas uma defesa bairrista, mas sim um “troco” após ter sido criticado por seus pares ao votar pela absolvição de Jair Bolsonaro no julgamento da chamada “trama golpista”.
A menção explícita ao caso do Banco Master foi interpretada nos bastidores como um recado direto a colegas de tribunal. A leitura política é de que Luiz Fux sinaliza ser favorável à aprovação da abertura de investigações contra ministros do STF — como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — no âmbito do escândalo do banco, caso o tema seja levado à decisão no plenário.





