Presidente do BC desmente Lula, isenta Roberto Campos e deixa o Planalto em “fúria”
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional, que não há indícios de irregularidades por parte de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no caso envolvendo o Banco Master.
A declaração contrariou diretamente as expectativas de integrantes do governo Lula e ampliou as tensões internas em Brasília.
Surpresa nos bastidores
A fala de Galípolo foi recebida com surpresa no Palácio do Planalto. Havia uma forte expectativa no núcleo do governo por um posicionamento mais crítico em relação à gestão anterior da autoridade monetária. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperavam que o depoimento pudesse reforçar a linha política adotada pelo governo sobre o episódio.
Antes da participação do atual presidente do BC na CPI, sua presença no colegiado havia sido amplamente discutida por Lula com assessores próximos. A avaliação interna era de que a manifestação de Galípolo poderia contribuir para sustentar a narrativa de que o escândalo teria ligação direta com decisões — ou omissões — da gestão anterior do Banco Central.
Quebra de narrativa
Nos últimos meses, membros do alto escalão do governo e do Partido dos Trabalhadores vinham apontando de forma incisiva a possível responsabilidade da administração de Campos Neto, que foi indicado ao cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, durante a oitiva, Galípolo frustrou a estratégia do Planalto ao afastar essa hipótese de forma direta e categórica, resultando no que aliados classificaram como um “banho de água fria” na narrativa governista.





