Coaf Aponta Movimentação “Inusitada” de R$ 27,2 Milhões do Banco Master para o Portal Metrópoles
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) classificou como “inusitados” os aportes financeiros na ordem de R$ 27,2 milhões realizados pelo Banco Master ao portal de notícias Metrópoles. De acordo com a análise do órgão, o montante movimentado é “incompatível com o faturamento médio mensal” da empresa de comunicação.
Repasses Imediatos e Suspeitas do Coaf
O relatório financeiro aponta que, logo após o recebimento dos valores provenientes do Banco Master, o Metrópoles realizou o “débito imediato” desses recursos, transferindo-os para outras empresas pertencentes à família do ex-senador Luiz Estevão, proprietário do portal.
Para o Coaf, a rapidez e o destino dessas transferências acendem um alerta, indicando que a operação “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.
A Defesa de Luiz Estevão
Questionado sobre as movimentações apontadas pelo conselho, o ex-senador Luiz Estevão negou veementemente que os valores recebidos pelo portal tenham sido superdimensionados ou que haja qualquer irregularidade nas transações.
Segundo o empresário, o montante negociado com o banco seria, na verdade, ainda maior do que o valor já pago:
“O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber”, afirmou Estevão.
Ele também justificou as cifras milionárias citando os altos custos de operação do veículo de comunicação, como a aquisição de direitos de transmissão esportiva:
“O valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não.”
Em relação aos repasses imediatos para as outras empresas de sua família, prática questionada pelo Coaf, o ex-senador defendeu a legalidade da gestão de seus recursos empresariais, afirmando ter total liberdade sobre o destino do capital recebido:
“O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser.”
O caso levanta debates sobre a fiscalização de grandes movimentações financeiras entre instituições bancárias e empresas de mídia, e segue sob análise das autoridades competentes.





