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Crescimento Patrimonial do Casal Moraes: Levantamento Aponta 17 Imóveis e Alta de 266% Desde a Posse no STF

Um levantamento exclusivo realizado pelo jornal Estadão, com base em documentos de cartórios de São Paulo, Minas Gerais e do Distrito Federal, revelou detalhes sobre a evolução patrimonial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Atualmente, o casal detém 17 propriedades avaliadas em R$ 31,5 milhões. Os dados mostram que o patrimônio imobiliário da família cresceu 266% desde março de 2017, data em que Moraes assumiu sua cadeira na Suprema Corte, indicado pelo então presidente Michel Temer.

Na época da nomeação, o casal possuía 12 imóveis com valor estimado em R$ 8,6 milhões. O salário do ministro saltou de aproximadamente R$ 33 mil (em cargos anteriores) para os atuais R$ 46 mil mensais. O Estadão procurou as assessorias de imprensa de Moraes e Viviane para comentar o levantamento, mas não obteve retorno.

Aceleração de Compras e Transações à Vista

O crescimento mais acentuado do patrimônio ocorreu nos últimos anos. Entre 2021 e 2026, a família desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e São Paulo. Segundo os registros cartoriais, todas as transações recentes foram quitadas à vista.

Para efeito de comparação:

  • 1997 a 2014: O casal investiu R$ 12,2 milhões na compra de 25 imóveis (alguns já vendidos).

  • 2021 a 2026: Em apenas cinco anos, investiram R$ 23,4 milhões — o que corresponde a mais de 67% de todos os recursos aplicados pela família no mercado imobiliário em quase três décadas.

A maior parte das transações foi conduzida por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, uma empresa de administração de bens familiares da qual Viviane e os dois filhos do casal (Alexandre e Giuliana) são sócios. Moraes não consta formalmente no quadro societário, mas é casado em regime de comunhão parcial de bens, o que significa que propriedades adquiridas após o matrimônio integram o patrimônio comum.

Aquisições de Alto Padrão

O portfólio imobiliário atual da família é diversificado e inclui propriedades em áreas nobres:

  • Brasília (DF): Em agosto de 2025, o casal adquiriu uma mansão de 776 m² no Lago Sul por R$ 12 milhões, pagos em duas parcelas de R$ 6 milhões via transferência bancária.

  • Campos do Jordão (SP): Em abril de 2025, compraram um apartamento de alto padrão por R$ 8 milhões, vizinho a outra unidade adquirida por eles em 2014. As duas totalizam 727 m².

  • São Paulo (SP): Sete propriedades na capital paulista, incluindo dois apartamentos no Jardim América comprados em 2021 por R$ 3 milhões cada (à vista), além de um apartamento no Jardim Paulista adquirido em 2024 por R$ 1,05 milhão.

  • São Roque (SP): Quatro lotes somando 1.250 m².

A Banca de Advocacia e o Contrato com o Banco Master

Paralelamente à evolução imobiliária, o escritório Barci de Moraes Advogados, do qual Viviane é sócia-administradora ao lado dos filhos, viu o número de ações tramitando no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) saltar de 27 para 152 processos após a nomeação de Moraes.

A atuação do escritório ganhou os holofotes após a divulgação de um contrato milionário firmado com o Banco Master. A banca de Viviane fechou um acordo de R$ 129 milhões por três anos (R$ 3,6 milhões mensais) para prestar serviços de compliance e direito criminal. Ao longo de 21 meses, o escritório faturou ao menos R$ 75,6 milhões.

O caso gera controvérsia pois o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é investigado em um inquérito no STF sob suspeita de fraudes financeiras. Além disso, especialistas consultados pelo jornal avaliaram que serviços de compliance nesse molde não costumam exceder R$ 10 milhões, mesmo em bancas de elite.

Negócios Cruzados com Advogados

A reportagem também destacou negócios imobiliários envolvendo advogados com atuação nos tribunais superiores:

  • Em março de 2024, o Lex Instituto vendeu um apartamento e uma vaga de barco no Guarujá (SP) por R$ 1,4 milhão para Persio Vinicius Antunes, advogado com ações no STF. Três anos antes, Moraes havia concedido, de forma monocrática, um habeas corpus a um cliente de Antunes. O advogado negou qualquer relação pessoal com o ministro.

  • Em 2025, o escritório de Viviane adquiriu uma sala comercial em Brasília (R$ 350 mil) de uma advogada que também possui ações no STF, embora nenhuma sob a relatoria de Moraes.

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Bruno Rigacci

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