Jornalista Thaís Oyama Questiona a Falta de Investigação Contra Alexandre de Moraes
A jornalista Thaís Oyama publicou uma análise contundente em sua coluna no jornal O Globo, levantando questionamentos sobre a ausência de investigações formais contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O artigo aborda as recentes denúncias que ligam o magistrado e sua família ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As Denúncias e a Defesa do Ministro
O estopim para a análise da jornalista foram as revelações feitas pelos jornais Folha de S.Paulo e Estadão, que, por meio do cruzamento de dados de aviação, apontaram que a esposa do ministro, Viviane Barci, teria viajado ao menos oito vezes em jatinhos de empresas ligadas a Vorcaro.
Em resposta, a assessoria de Moraes emitiu uma nota negando categoricamente as informações:
“As ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas. O ministro Alexandre de Moraes jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece.”
Para Oyama, a estratégia de Moraes de negar enfaticamente — muitas vezes rebatendo pontos que não foram o foco central das denúncias — não deveria ser suficiente para encerrar o assunto. A jornalista relembra reportagens anteriores do próprio jornal O Globo, que indicaram supostas pressões do ministro sobre o presidente do Banco Central para aprovar negócios envolvendo o Banco Master, além de mensagens enviadas por Vorcaro ao telefone de Moraes horas antes de ser preso.
“No Direito, a existência de indícios múltiplos e convergentes (…) confrontados com a negação do envolvido, costuma reforçar, e não enfraquecer, a ideia de que é preciso investigar”, argumenta a colunista.
O Entrave Institucional: O Papel da PGR e do STF
Ao responder à própria pergunta sobre o motivo de Moraes não ser investigado, Oyama aponta diretamente para a estrutura institucional brasileira e para a figura do Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.
Segundo a análise, o PGR detém o monopólio para impulsionar ou arquivar investigações contra ministros do STF. A jornalista destaca que a inércia de um único indivíduo basta para bloquear qualquer ação penal. Além disso, ela ressalta a relação de amizade declarada entre Gonet e Moraes, e o fato de o procurador ter sido sócio do também ministro Gilmar Mendes.
O problema, no entanto, vai além dos nomes atuais. A falta de uma “quarentena” legal faz com que os procuradores-gerais evitem hostilizar ministros do STF, que são peças de influência para futuras indicações à própria Corte. E, mesmo que uma denúncia avance, ela seria julgada pelo próprio STF, um tribunal que, historicamente, nunca acolheu pedidos de suspeição ou impedimento contra seus próprios membros.
O Caminho Político
Diante do bloqueio na esfera penal, Oyama conclui que a única via restante para a responsabilização de um ministro do Supremo é o processo de impeachment no Senado Federal.
Com a direita utilizando a oposição ao STF como plataforma política, a jornalista projeta que o tema será central nas próximas eleições legislativas: “Neste ano, dificilmente um candidato ao Senado atravessará a campanha sem responder à pergunta: será Moraes finalmente investigado?”.





