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Preço do combustível de aviação dispara mais de 50% e deve encarecer passagens aéreas no Brasil

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) um reajuste drástico no preço do querosene de aviação (QAV), principal combustível utilizado por companhias aéreas. O aumento médio foi de 54,6%, mas em algumas regiões do país o salto pode ultrapassar os 56%. A medida, que já entrou em vigor, promete impactar diretamente os custos operacionais do setor e deve ser repassada aos consumidores na forma de passagens aéreas mais caras.

O Impacto nas Bombas e Regiões

Com a nova tabela, o combustível passou a ser comercializado, em média, a R$ 5.495,30 por metro cúbico (o equivalente a R$ 5,49 por litro). Este é o segundo grande choque no setor em um curto período, já que o QAV havia sofrido um reajuste de 9,4% em março.

Os valores variam conforme o polo de distribuição:

  • Ipojuca (PE): Registrou um dos aumentos mais expressivos. O litro do QAV saltou de R$ 3.458 para R$ 5.403,30 — uma alta de 56,26%.

  • Outras bases importantes também foram fortemente atingidas, incluindo polos de distribuição em Belém (PA), São Luís (MA), Fortaleza (CE), Betim (MG), Duque de Caxias (RJ), Paulínia (SP), Guarulhos (SP), Araucária (PR) e Canoas (RS).

As Causas: Tensões Geopolíticas e Petróleo em Alta

A escalada de preços nas refinarias brasileiras é um reflexo direto do turbulento cenário internacional. A cotação do petróleo foi fortemente pressionada por tensões geopolíticas recentes envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

  • Salto do Barril: Em pouco mais de um mês, o preço do barril do tipo Brent saltou de cerca de US$ 72 para mais de US$ 100. Nesta quarta-feira (1º), a commodity era negociada em torno de US$ 101,79.

  • Gargalos Logísticos: A situação é agravada pelos desafios no transporte global, especialmente no Estreito de Ormuz. A região é uma rota estratégica vital, responsável por escoar cerca de 25% do petróleo mundial — mais de 14 milhões de barris por dia. Qualquer instabilidade nesta área gera volatilidade imediata nos preços.

O Efeito nas Companhias Aéreas e nos Consumidores

No Brasil, o cenário é de alerta máximo para as empresas do setor. O querosene de aviação representa, historicamente, mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas.

O aumento brutal coloca pressão adicional sobre gigantes como Gol e Azul, que já atravessam complexos processos de reestruturação financeira. Nos bastidores, as distribuidoras já haviam sido alertadas sobre o iminente reajuste de 55%, com negociações para eventuais alternativas de parcelamento.

Pela política de preços da Petrobras, os valores do QAV são atualizados no início de cada mês, seguindo as variações do dólar e do mercado internacional de petróleo. Desta vez, no entanto, a magnitude do choque torna praticamente inevitável o repasse dos custos, indicando que voar pelo Brasil ficará significativamente mais caro nas próximas semanas.

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Bruno Rigacci

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